Sobrenatural: Agora Entre Nós tenta renovar a franquia com emoção e nova mitologia, mas esquece de assustar

Sobrenatural: Agora Entre Nós expande a mitologia da franquia com boas ideias e uma nova protagonista, mas entrega menos terror do que os fãs esperavam

Emile Campos
7 Min de Leitura
Sony Pictures/Reprodução
3 Bom
Crítica - Sobrenatural: Agora Entre Nós

Em Sobrenatural: Agora Entre Nós, a nova história acompanha Gemma (Amelia Eve), uma higienista dental que vive com a filha Maya na antiga casa da família, um lugar marcado por traumas que ela nunca conseguiu superar. Quando pesadelos passam a se misturar com estranhas manifestações sobrenaturais, Gemma descobre que herdou um dom incomum ligado ao Além. Com a ajuda da médium Elise Rainier (Lin Shaye), ela precisará impedir que uma poderosa entidade atravesse a fronteira entre o mundo espiritual e o dos vivos, colocando não apenas sua família, mas toda a humanidade em risco.

Poucas franquias de terror moderno conseguiram construir uma identidade tão marcante quanto Sobrenatural (Insidious). Depois de cinco filmes explorando o misterioso Além (The Further), a saga retorna aos cinemas com Sobrenatural: Agora Entre Nós, um capítulo que busca apresentar uma nova protagonista, ampliar a mitologia e preparar o terreno para o futuro da franquia. A grande pergunta, porém, é inevitável: será que essa renovação consegue capturar o mesmo medo que transformou o filme original em um clássico do terror contemporâneo?

A resposta é… em partes.

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Como fã da franquia, confesso que entrei na sessão esperando aquela sensação de desconforto que Leigh Whannell e James Wan transformaram em marca registrada da série lá em 2010. Aquela tensão constante, em que qualquer corredor escuro ou canto da casa parecia esconder alguma coisa. E talvez seja justamente aí que Sobrenatural: Agora Entre Nós mais divide opiniões.

O filme claramente tenta seguir um caminho diferente.

Em vez de apostar todas as fichas no terror sufocante, a produção escolhe investir mais na aventura sobrenatural e na expansão do universo da franquia. Isso não significa que os sustos desapareceram — eles continuam ali. Existem alguns jump scares muito eficientes e sequências visualmente inspiradas, especialmente durante as visitas ao Além. As cenas envolvendo o consultório odontológico e a criatura escondida dentro do sofá, por exemplo, estão entre os momentos mais criativos do longa e mostram que o diretor Jacob Chase sabe brincar com o desconforto visual e com elementos de body horror.

O problema é que esses momentos são mais espaçados do que deveriam.

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Entre um susto e outro, o roteiro parece muito mais interessado em explicar regras, apresentar novos poderes e construir uma nova mitologia do que propriamente em provocar medo. Em determinados trechos, a narrativa desacelera tanto para contextualizar os acontecimentos que a tensão simplesmente desaparece. É como se o filme estivesse constantemente preparando o próximo capítulo da franquia em vez de se preocupar em fazer este funcionar plenamente.

Ainda assim, há acertos importantes.

Amelia Eve entrega uma protagonista muito acima da média para um sexto filme de franquia. Gemma não é apenas mais uma vítima perseguida por espíritos; ela carrega traumas, inseguranças e conflitos familiares que tornam sua jornada emocionalmente interessante. Sua deterioração psicológica acontece de forma gradual e convence justamente porque o roteiro dedica tempo para desenvolver a personagem antes de colocá-la no centro do conflito sobrenatural.

A relação entre Gemma e Maya também funciona muito bem e reforça um aspecto que sempre esteve presente em Sobrenatural, mas que aqui ganha ainda mais força: o terror nasce do medo de perder quem amamos. Assim como aconteceu com a família Lambert nos primeiros filmes, o coração da história continua sendo o vínculo familiar, e isso impede que o longa se torne apenas uma sequência de sustos desconectados.

Outro grande destaque é, claro, Lin Shaye.

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Mesmo sem ocupar o protagonismo absoluto, Elise continua sendo a alma da franquia. Sua presença transmite imediatamente aquela sensação de familiaridade que os fãs carregam desde os primeiros capítulos. O filme ainda encontra uma maneira interessante de expandir suas habilidades espirituais, apresentando novas possibilidades para a personagem sem contradizer tudo o que foi estabelecido anteriormente.

Essa preocupação em respeitar a continuidade também merece elogios.

A trama acontece poucas semanas após Sobrenatural: A Porta Vermelha, reconhece a existência da família Lambert e evita o erro de reiniciar completamente a franquia. Ao mesmo tempo, introduz conceitos inéditos, como a capacidade de Gemma de trazer entidades do Além para o mundo físico — uma inversão inteligente da lógica apresentada nos filmes anteriores e que abre possibilidades bastante interessantes para futuras continuações.

Visualmente, o longa também acerta. O design das criaturas continua perturbador, a fotografia mergulha novamente em tons escuros e avermelhados durante as sequências no Além, e a direção de arte mantém aquela atmosfera quase onírica que sempre diferenciou Sobrenatural de outras franquias de terror sobrenatural.

Mas existe uma sensação constante de que o filme segura o freio.

Sony Pictures/Reprodução

Enquanto os primeiros capítulos pareciam confiantes em assustar o público, Agora Entre Nós parece mais preocupado em agradar diferentes perfis de espectadores. O resultado é um terror mais acessível, menos intenso e que dificilmente provocará o mesmo impacto de cenas icônicas dos primeiros filmes. Não chega a comprometer a experiência, mas reduz bastante a sensação de perigo permanente que sempre definiu a série.

No fim das contas, Sobrenatural: Agora Entre Nós não representa a revitalização definitiva que muitos fãs esperavam, mas também está longe de ser um capítulo descartável. O filme amplia a mitologia com boas ideias, apresenta uma protagonista carismática, faz uso inteligente de Elise Rainier e demonstra que ainda existe espaço para explorar o universo do Além. Talvez ele assuste menos do que deveria, mas emociona mais do que muitos imaginavam.

Para quem acompanha a franquia desde 2010, a experiência vale justamente por mostrar que Sobrenatural ainda tem histórias para contar. Agora, resta torcer para que o próximo capítulo encontre o equilíbrio ideal entre a expansão desse universo e o terror sufocante que fez tanta gente apagar a luz correndo depois de sair do cinema.

Crítica - Sobrenatural: Agora Entre Nós
Bom 3
Nota Cinesia 3 de 5
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