NewPOP traz ao Brasil Memórias de Emanon, mangá de ficção científica sobre memória, tempo e a origem da vida

Obra de Shinji Kajio e Kenji Tsuruta acompanha o encontro entre um jovem viajante e uma mulher que carrega lembranças de três bilhões de anos

Danilo de Oliveira
4 Min de Leitura
New Pop/Reprodução

Um encontro casual durante uma viagem de barco pode esconder uma história que atravessa toda a existência da vida na Terra. Essa é a premissa de Memórias de Emanon (Omoide Emanon), que chega ao Brasil pela NewPOP em edição de volume único.

Originalmente publicado no Japão entre 2006 e 2008, o mangá adapta a obra de ficção científica escrita por Shinji Kajio. A narrativa combina mistério, romance e questionamentos filosóficos para explorar uma ideia incomum: e se uma pessoa fosse capaz de carregar, em suas próprias memórias, toda a história da vida na Terra?

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A história se passa em 1967, quando um jovem japonês embarca em uma longa viagem de balsa de volta para casa. Durante o trajeto, ele conhece uma jovem misteriosa que se apresenta como Emanon (No Name escrito ao contrário). O que inicialmente parece ser apenas uma conversa entre dois desconhecidos ganha outra dimensão quando ela revela possuir memórias que remontam a aproximadamente três bilhões de anos, desde o surgimento da vida.

Emanon não carrega apenas a própria existência, mas a memória viva de três bilhões de anos de evolução. Essa bagagem milenar redefine sua relação com o tempo e a humanidade, tornando a busca pela própria identidade o verdadeiro coração da narrativa.

A partir desse encontro, Memórias de Emanon constrói uma ficção científica menos interessada em grandes acontecimentos futuristas e mais voltada para as perguntas que surgem diante da existência: o que significa lembrar? O que permanece de uma pessoa ao longo do tempo? E como seria observar bilhões de anos de história a partir da perspectiva de uma única consciência?

Mais do que uma história sobre uma mulher com uma memória impossível, Memórias de Emanon fala sobre a necessidade humana de compreender de onde viemos e o que permanece depois que partimos.

Essa abordagem também se reflete na construção visual de Kenji Tsuruta, conhecido por seu trabalho em obras de ficção científica como Spirit of Wonder e Wandering Island. Seu traço detalhado e expressivo acompanha o caráter contemplativo da história, dando destaque aos cenários, aos momentos de silêncio e aos espaços de encontros breves, mas que são capazes de permanecer na memória.

Memórias de Emanon foi indicada ao Prêmio Seiun, uma das principais e mais antigas premiações japonesas dedicadas à ficção científica, na categoria de mangá em 2009. Anos depois, em 2019, foi incluída na seleção Underrated but Awesome Manga, apresentada durante a San Diego Comic-Con International pelo tradicional painel Best and Worst Manga.

A edição internacional também recebeu avaliações positivas pela combinação entre sua proposta de ficção científica filosófica e a arte de Tsuruta. Em crítica para a Otaku USA, Jason Thompson destacou justamente o trabalho artístico, as discussões sobre ficção científica e as cenas de forte ambientação da obra.

No Brasil, Memórias de Emanon chega agora ao catálogo da editora como volume único, ampliando a presença de obras de ficção científica e mangás de perfil mais contemplativo.

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