Coração Partido | Filme russo sobre amor jovem tem um romance forte, mas um roteiro frágil

Priscila Dórea
5 Min de Leitura
Paris Filmes | Reprodução
2.5 Regular
Critica - Coração Partido

Em Coração Partido, acompanhamos Polina (Veronika Zhuravleva), uma adolescente que tenta recomeçar a vida em uma nova cidade, mas logo se torna alvo de bullying na escola. Tudo muda quando Bars (Daniel Vegas), o aluno mais temido e misterioso do colégio, oferece proteção em troca de que ela siga suas próprias regras. O que começa com um fake dating logo evolui para uma relação intensa e emocionalmente complexa, marcada por dependência, vulnerabilidade e uma crescente necessidade de pertencimento.

O longa russo, dirigido por Mikhail Vaynberg, adapta o livro escrito pela russa Anna Jane, um young adult com seus devidos clichês que, nas telas, tem a seu favor a química entre os dois protagonistas. O filme, no entanto, não começa bem, pois a “motivação” para que o bullying contra Polina comece é algo forjado que leva a expressão “bullying gratuito” para outro nível. Existiam formas infinitamente mais fáceis de fazer esse bullying acontecer mantendo, inclusive, todos os ataques posteriores que ela sofre.

Outro ponto é que os acontecimentos e, sobretudo, os motivos que fazem Bars querer ajudar Polina não são construídos de fato e é outra coisa que faz toda a situação ficar forçada demais no início da história, um roteiro preguiçoso. E mais uma vez, é algo que seria resolvido de forma muito simples, inclusive aprofundando um pouco mais rapidamente a história. Felizmente, a partir daí o desenvolvimento da história e a construção de romance melhora.

IMDB | Reprodução

A fórmula do romance é a nossa velha conhecida “garoto mal e a boa garota”, mas que ganha um tempero a mais a medida que a história pessoal dos protagonistas são aprofundadas, o que torna a dinâmica do relacionamento deles e o filme de forma geral mais interessantes. Ambos tem problemas familiares e tentam lidar com isso da melhor forma possível em meio a todo fulgor do amor adolescente, o que é ressaltado pela ótima química dos protagonistas, o ponto mais forte do filme.

A história traz discursões muito essenciais sobre bullying, abandono parental, violência doméstica e violência contra mulher. E mesmo dentro desse redemoinho de tópicos sensíveis e de violência, a história encontra um bom espaço para mostrar amor, carinho, um pouco de sensualidade e ser crível.

É interessante a forma como eles conseguem dosar os momentos de doce romance adolescente e intenso drama familiar, e então colidir esses “dois mundos”. A relação conturbada de Bars com o pai, a relação também conturbada de Polina com o padrasto, o real papel do rival nas pistas de Bars, Ruslan (Ivan Trushin) nisso tudo…

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O filme flui em um bom ritmo a partir daí e tudo que o roteiro propõem tem o seu devido desfecho – positivos e alguns bem negativos, como o “final” da mãe da Polina. Porém, quando esses e outros acontecimentos se juntam para formar a história, o filme para se desenrolar mais rápido do que o ideal. O longa não é necessariamente corrido, mas ele contém história suficiente para render, por exemplo, uma minissérie de oito episódios de 40 minutos que explorariam ainda mais o que o roteiro já entrega.

E essa percepção, pessoalmente, mostrou o quanto a história consegue segurar, nem que seja um pouco, a atenção do telespectador enquanto a história se desenrola. É uma história de amor jovem, de conflito familiar, de decisões que precisam ser tomadas e corações partidos de diferentes formas. Um filme que prova que as produções teen e young adult ainda tem seu lugar, só precisam ser melhor tratados e ter suas arestas melhor aparadas.

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Coração Partido merecia mais cenas e mais tempo. É uma história interessante e que consegue cativar o público de seu nicho. Tem seus problemas, claro, mas a história está ali, assim como a atenção que ela quer chamar para diversos tópicos sensíveis que, ao fim, podem até não ter a conclusão ideal ou perfeita, mas ajudam a construir aspectos próprios para um filme do gênero.

Critica - Coração Partido
Regular 2.5
Nota Cinesia 2.5 de 5
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Jornalista e potterhead para toda eternidade, tem um amor nada secreto por mangás e picos de felicidade com livros em terceira pessoa. Além de colaboradora no Cinesia Geek, é repórter do Grupo A Tarde.