Resident Evil | Por que o olhar de Zach Cregger pode finalmente quebrar a maldição da franquia nos cinemas?

Filme chega nesta quinta-feira (17) repleto de expectativas

Danilo de Oliveira
8 Min de Leitura
Sony Pictures/Reprodução

A franquia Resident Evil vive um paradoxo raro dentro da cultura pop. Enquanto os videogames atravessam uma de suas melhores fases — impulsionados pelos remakes de sucesso e pelo recente Resident Evil Requiem —, as adaptações para o cinema jamais conseguiram conquistar unanimidade entre crítica e fãs.

A série estrelada por Milla Jovovich arrecadou bilhões de dólares, mas sempre foi criticada por se afastar da essência dos jogos. Em 2021, Resident Evil: Bem-Vindo a Raccoon City tentou seguir a cronologia da Capcom com maior fidelidade, porém acabou dividindo o público. Já a série da Netflix foi cancelada após apenas uma temporada.

Agora, às vésperas da estreia do novo longa, marcada para 17 de setembro, a expectativa é diferente. O primeiro trailer, as entrevistas da equipe e as projeções iniciais de bilheteria indicam que a Sony e a Capcom podem finalmente ter encontrado um caminho capaz de agradar tanto quem conhece a franquia há quase 30 anos quanto um novo público.

Uma história inédita em um universo conhecido

Em vez de adaptar novamente os acontecimentos da Mansão Spencer ou da Delegacia de Raccoon City, Zach Cregger decidiu seguir uma direção muito mais ousada.

Sony Pictures/Reprodução

O novo filme apresenta uma história completamente original, ambientada no universo de Resident Evil, mas sem depender diretamente dos acontecimentos dos jogos.

Segundo o diretor, a inspiração sempre foi imaginar como seria colocar uma pessoa comum dentro daquele pesadelo.

“Eu queria contar a história do que aconteceria se um idiota qualquer como eu fosse jogado no mundo de Resident Evil.”

Essa escolha muda completamente a perspectiva da narrativa.

O protagonista vivido por Austin Abrams (Bryan) não possui treinamento militar nem habilidades extraordinárias. Ele é apenas um entregador de materiais hospitalares que acaba preso em uma noite caótica em Raccoon City, precisando sobreviver contra ameaças muito maiores do que ele consegue compreender.

A proposta aproxima o espectador da sensação de vulnerabilidade que sempre definiu os primeiros jogos da franquia.

O verdadeiro survival horror finalmente chega aos cinemas

Talvez a maior promessa do novo filme seja justamente aquilo que os fãs mais pedem desde 2002: fazer o cinema reproduzir a sensação de jogar Resident Evil.

Em diversas entrevistas, Cregger explicou que seu objetivo nunca foi criar um filme de ação repleto de explosões.

O foco é o horror.

Por isso, elementos clássicos da jogabilidade aparecem incorporados à narrativa:

  • munição extremamente limitada;
  • administração constante de recursos;
  • progressão gradual do arsenal;
  • exploração cuidadosa dos cenários;
  • obstáculos que obrigam o protagonista a encontrar caminhos alternativos.

Segundo o cineasta, até mesmo o sentimento de encontrar uma nova arma foi transportado para o roteiro.

Ao invés de começar equipado para enfrentar monstros, Bryan evolui lentamente, exatamente como acontece com qualquer jogador durante uma campanha da franquia.

Muito além dos zumbis

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Outro ponto que diferencia a produção das adaptações anteriores é o tratamento dado ao T-Vírus.

Embora os mortos-vivos continuem presentes, Cregger afirma que eles representam apenas uma pequena parte dos perigos.

O vírus será utilizado como ferramenta narrativa para justificar diferentes mutações ao longo da história, permitindo o surgimento de criaturas imprevisíveis.

“Eu queria garantir que nunca soubéssemos exatamente que tipo de perigos encontraríamos. Não é apenas um filme de zumbi.”

A proposta lembra bastante a estrutura dos jogos clássicos, onde cada área explorada introduzia novas criaturas e mudava completamente a forma como o jogador precisava sobreviver.

O terror psicológico acima da ação

Sony Pictures/Reprodução

Quem conhece Noites Brutais (Barbarian) sabe que Zach Cregger prefere construir tensão antes de recorrer ao choque.

Essa identidade também aparece em Resident Evil.

O diretor descreve o longa como um suspense de desenvolvimento lento (slow burn), onde o medo nasce da atmosfera e da incerteza.

Corredores escuros, silêncio, exploração cuidadosa e a constante sensação de que existe algo escondido logo à frente fazem parte da linguagem do filme.

É justamente essa abordagem que aproxima o projeto muito mais dos jogos da Capcom do que das adaptações anteriores, tradicionalmente focadas em cenas de ação.

Cregger responde às críticas dos fãs

Sony Pictures/Reprodução

Apesar da recepção positiva ao trailer, parte da comunidade demonstrou preocupação por o filme apresentar protagonistas inéditos e uma história original.

Para alguns jogadores, isso significaria abandonar completamente a identidade da franquia.

Cregger, porém, respondeu diretamente a essas críticas durante participação no podcast Seen on the Screen with Jacqueline Coley.

Segundo ele, a impressão muda completamente quando o público assistir ao longa.

“Quando assistirem ao filme, eles ficarão completamente convencidos de que não é o caso.”

O diretor reforçou que sua intenção nunca foi utilizar apenas o nome Resident Evil em uma produção genérica, mas reproduzir a estrutura, o ritmo e principalmente a sensação que tornou os jogos tão marcantes.

Estreia cercada de expectativa

O lançamento acontece nesta quinta-feira, 17 de setembro, e as projeções iniciais mostram que a confiança da Sony no projeto é alta.

Analistas de mercado estimam que o novo Resident Evil possa arrecadar mais de US$ 100 milhões mundialmente em seu primeiro fim de semana, sendo entre US$ 35 milhões e US$ 50 milhões apenas nos Estados Unidos.

Sony Pictures/Reprodução

Caso os números se confirmem, o longa começará sua trajetória comercial com um desempenho superior ao de diversas adaptações recentes de videogames, reforçando o interesse do público pela franquia.

Mais do que uma boa estreia, o desempenho poderá definir os próximos passos da Sony para Resident Evil nos cinemas, especialmente se a abordagem original de Cregger conquistar tanto a crítica quanto os fãs.

O veredito antes da estreia

Nos últimos anos, Hollywood finalmente começou a entender que adaptar videogames vai muito além de reproduzir cenas famosas. Produções como The Last of Us, Fallout e Super Mario Bros. O Filme provaram que respeitar a essência da obra original costuma ser mais importante do que copiar sua história literalmente.

É justamente esse caminho que Zach Cregger parece seguir com Resident Evil. Em vez de recriar eventos já conhecidos, o diretor aposta naquilo que realmente tornou a franquia um fenômeno: a vulnerabilidade, a exploração, o gerenciamento de recursos e a constante sensação de que o perigo está escondido na próxima porta.

Se a execução corresponder às promessas apresentadas até aqui, o filme tem tudo para representar um novo capítulo para a marca nos cinemas e, finalmente, quebrar a longa maldição que acompanha Resident Evil desde sua primeira adaptação. A resposta definitiva chega nesta quinta-feira, quando o público finalmente descobrirá se o terror da Capcom encontrou, enfim, sua tradução ideal para as telonas.

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