Mesmo após se tornar um dos maiores fracassos de bilheteria de 2024, Coringa: Delírio a Dois segue encontrando defensores dentro da própria Warner Bros. Pictures. Em entrevista exclusiva ao TheWrap, os chefes do estúdio, Pamela Abdy e Michael De Luca, afirmaram que não se arrependem da sequência estrelada por Joaquin Phoenix e Lady Gaga, apesar da recepção negativa do público e da crítica.
“Eu realmente gostei do filme”, diz Pamela Abdy
Durante a conversa, Pamela Abdy foi direta ao comentar sua visão sobre o longa:
“Eu realmente gostei do filme. Ainda gosto.”
Já Michael De Luca destacou a ousadia criativa do diretor Todd Phillips, que optou por não repetir a fórmula vencedora do primeiro filme:
“Foi realmente revisionista. Eles decidiram não se repetir. Dou a eles um imenso crédito por isso, mas acabou não conectando com o público.”
Lançado cinco anos após o sucesso estrondoso de Coringa (2019), o segundo capítulo abandonou o tom de drama criminal realista e apostou em uma mistura de musical com drama judicial, decisão que dividiu espectadores e afastou parte da base de fãs do original.
Coringa: Delírio a Dois arrecadou US$ 207 milhões mundialmente, um número considerado extremamente baixo quando comparado ao US$ 1 bilhão faturado pelo primeiro filme. O desempenho se torna ainda mais preocupante diante do orçamento estimado em US$ 200 milhões, sem contar os custos de marketing.
Além disso, o longa foi ignorado na temporada de premiações, ficando de fora do Oscar, o que aumentou a percepção de fracasso e alimentou rumores, no início de 2025, sobre a possível saída de Abdy e De Luca da liderança do estúdio.
Apesar da turbulência causada por Coringa 2, os executivos conseguiram reverter a maré em 2025, com uma sequência de lançamentos bem-sucedidos. Entre eles estão: Um Filme Minecraft, Pecadores, Superman, A Hora do Mal
Os dois últimos, inclusive, despontam como fortes candidatos ao Oscar, ajudando a restaurar a confiança no comando criativo da Warner Bros.
“Fracassos fazem parte do jogo”, afirma De Luca
Michael De Luca também comentou sobre a pressão constante da indústria e a necessidade de resiliência:
“Todo mundo tem fracassos, mas nem todo mundo tem sucessos. Você apenas tenta não torturar aqueles que não funcionam.”
Segundo o executivo, os anos de experiência o ajudaram a desenvolver uma verdadeira “pele grossa de veterano” para lidar com os altos e baixos de Hollywood.
Um risco criativo que não se pagou — mas segue defendido
Coringa: Delírio a Dois pode não ter conquistado o público nem repetido o impacto cultural do original, mas, para a cúpula da Warner, o filme permanece como um exemplo de risco criativo em um mercado cada vez mais avesso a apostas fora do padrão.
Se o tempo será generoso com o longa, ainda é cedo para dizer. Por ora, fica claro que, ao menos nos bastidores do estúdio, o arrependimento não faz parte do roteiro.

