Michael (2026) | O Rei do Pop renasce no cinema — um espetáculo grandioso que dança entre mito e humanidade

Danilo de Oliveira
5 Min de Leitura
Lionsgate/Reprodução
4 Ótimo
Critica - Michael

Há uma regra não escrita em Hollywood: toda cinebiografia é uma via de mão dupla. De um lado, existe a responsabilidade quase esmagadora de retratar uma figura real com honestidade; do outro, a tentação de transformá-la em algo maior que a vida, uma versão romantizada que beira o mito. Quando essa figura é Michael Jackson, essa pressão sobe até o teto. O peso cultural, histórico e emocional do Rei do Pop não permite erros fáceis — e é exatamente esse desafio que o diretor Antoine Fuqua abraça em Michael.

A história acompanha a trajetória do artista desde sua infância em Gary, Indiana, quando ainda era parte do Jackson 5, até sua consolidação como o maior fenômeno pop da história. O longa percorre a ascensão meteórica do jovem talento, seus primeiros passos solo e a explosão definitiva com álbuns icônicos, revelando não apenas o artista, mas o homem por trás da luva brilhante. Mais do que uma linha do tempo, o filme funciona como uma jornada sensorial, quase como um grande show que convida o público a reviver momentos que marcaram gerações.

Lionsgate/Reprodução

O maior trunfo do filme está em suas performances. O pequeno Juliano Valdi entrega um Michael criança carismático e profissional que encanta e emociona em medidas iguais. Já Jaafar Jackson, sobrinho do cantor na vida real, realiza uma transformação visceral. Jaafar não apenas atua; ele incorpora o espírito do tio, entregando performances de palco tão próximas dos registros originais que é impossível o público não se sentir em um show ao vivo.

Fuqua acerta ao transformar o filme em uma experiência imersiva. A direção de arte, os figurinos e a reconstrução de época são impecáveis, mas é a trilha sonora que carrega o coração da obra. Cada música é tratada como um evento, com sequências que beiram o espetáculo ao vivo. É impossível não sentir vontade de levantar da cadeira em certos momentos — algo que poucos filmes conseguem provocar com tanta naturalidade.

Lionsgate/Reprodução

Contudo, a produção não sai ilesa de críticas quanto ao roteiro de John Logan. Ao focar excessivamente na arte, o filme acaba pincelando temas pessoais densos sem nunca se aprofundar neles. Isso pode agradar fãs, mas também limita o potencial dramático da obra. Há uma sensação de que o roteiro prefere celebrar do que questionar, o que enfraquece a complexidade emocional em alguns trechos.

Ainda assim, existem nuances interessantes, especialmente na relação com seu pai, interpretado por Colman Domingo. O conflito entre ambição e opressão familiar é um dos poucos momentos em que o filme realmente se permite explorar camadas mais densas da vida do artista. É nesses instantes que Michael deixa de ser apenas um espetáculo e se aproxima de um retrato humano. A analogia constante com a figura de Peter Pan serve como um fio condutor poético, preparando o terreno para o que virá na já anunciada continuação.

Lionsgate/Reprodução

Pra finalizar, Michael (2026) é uma cinebiografia que entende perfeitamente o tamanho de seu protagonista — e joga a favor disso. Pode não ser a análise mais profunda sobre o homem por trás do mito, mas é um tributo poderoso à sua arte e ao impacto que ele deixou no mundo. Entre acertos técnicos impressionantes e escolhas narrativas mais conservadoras, o filme entrega exatamente o que promete: um grande show.

E, assim como o próprio Michael Jackson, talvez seja impossível sair dessa experiência sem se deixar levar — nem que seja por alguns minutos — pela música, pela emoção e pela magia.

Critica - Michael
Ótimo 4
Nota Cinesia 4 de 5
Share This Article