Five Nights at Freddy’s 2 | Sustos, Nostalgia e Um Terror que Nunca sai do quase

Danilo de Oliveira
6 Min de Leitura
Blumhouse/Reprodução
1.5 Ruim
Critica - Five Nights at Freddy’s 2

Desde que explodiu em 2014, Five Nights at Freddy’s virou aquele fenômeno que ninguém viu chegando: um jogo simples, barato, mas com uma mitologia tão insana que virou febre instantânea. Dezenas de Youtubers lotaram o feed com teorias, gameplay, sustos fingidos (ou não), e aquele mergulho coletivo no mistério dos animatronics assassinos. Hoje, são 17 jogos, uma base de fãs gigante e um filme de 2023 que faturou quase 300 milhões de dólares com um orçamento de troco de padaria. E aí, claro, a continuação veio quase automaticamente — mas Five Nights at Freddy’s 2 chega carregando o peso de uma pergunta inevitável: será que dá pra expandir esse universo sem cair no labirinto de referências vazias?

No novo capítulo, o filme retoma os eventos traumáticos da Freddy Fazbear Pizza enquanto Abby (Piper Rubio) tenta lidar com a falta de seus “amigos animatrônicos”. Enquanto isso, Mike (Josh Hutcherson) e Vanessa (Elizabeth Lail) tentam seguir com suas vidas, mas é claro que o passado não deixa. A chegada de uma segunda unidade da pizzaria — e de novos animatrônicos nada amistosos — reacende segredos enterrados dos anos 80, incluindo o espírito vingativo de uma garota assassinada e o retorno cada vez mais inevitável de William Afton (Matthew Lillard). Enquanto Abby busca reconexão, Mike e Vanessa tentam impedir que o ciclo recomece, mas a cidade inteira parece alheia ao tamanho da tragédia que deixou marcas muito mais profundas do que aparenta.

Blumhouse/Reprodução

Como experiência cinematográfica, FNAF 2 parece viver numa eterna gangorra. Quando Emma Tammi assume o controle visual e rítmico das cenas, o filme ganha uma energia de terror que realmente funciona — especialmente na sequência em estilo found footage, onde um grupo de “caçadores de mitos” invade a nova pizzaria. Esse momento apesar de bem clichê, usa bem o clima dos jogos e mostra o quanto Tammi entende o que faz. Só que aí o roteiro de Scott Cawthon entra, e a coisa desanda. Cawthon, que também é o criador da franquia de jogos, agora escrevendo sozinho, abre mão de qualquer estrutura e entrega diálogos tão truncados que parecem saídos de um fórum de teorias mal colado na tela. O texto se perde em revelações mal encaixadas, especialmente envolvendo Vanessa e o passado da família Afton, e a narrativa vira um amontoado de informações despejadas sem cuidado, como quem tenta explicar o jogo inteiro em cinco minutos.

A parte mais curiosa — e frustrante — é que o filme tenta beber da mesma fonte de Halloween II (1981), colocando o trauma como elemento central. Só que, diferente da obra de John Carpenter, aqui não sentimos o impacto real dos eventos na cidade. Como os pais das crianças mortas reagiram? A comunidade vive com medo? Os adultos fingem que nada aconteceu? Nada disso aparece. Só vemos personagens quando convém ao roteiro, o que tira força de qualquer tentativa de criar uma camada emocional ou atmosférica. É como se o filme quisesse parecer profundo, mas tivesse medo de realmente encarar as próprias consequências.

Blumhouse/Reprodução

E claro, tem a grande armadilha: agradar demais os fãs,mas somente com referencias jogadas e nada mais. O filme tenta tanto nutrir o público que conhece cada pixel do jogo que acaba esquecendo o básico — construir uma história sólida para quem está sentado ali no cinema. Os sustos funcionam aqui e ali, os animatrônicos continuam um show à parte e Piper Rubio segue sendo o coração emocional da trama. Mas os laços afetivos entre Mike, Vanessa e Abby, que deveriam sustentar o drama, ficam frágeis, quase sempre sabotados por diálogos expositivos ou por emoções que surgem do nada, como se alguém tivesse apertado um botão de “chorar agora”.

No fim das contas, Five Nights at Freddy’s 2 é aquele filme que tinha tudo pra melhorar e dar certo, mas tropeça justamente porque quer abraçar mais referências do que narrativa. Quando Tammi conduz, existe tensão, existe ritmo, existe cinema. Quando o texto assume, o filme lembra demais o que a franquia tenta fugir: um amontoado de pistas, teorias e piscadelas que empolgam os fãs hardcore, mas afastam quem só quer uma história de terror bem amarrada.

Blumhouse/Reprodução

Five Nights at Freddy’s 2 (2025) é um prato cheio pra quem viveu a febre FNAF — cheio de piscadas, sustos, easter eggs e aquela vibe de nostalgia que bate forte. Mas como filme, ele luta para ser mais do que um compilado de referências. Falta liga, sobram intenções, e apesar de momentos realmente inspirados, a obra nunca sai do quase: divertida, mas irregular; ambiciosa, mas inchada; assustadora às vezes, esquecível em outras. No fim, é um daqueles casos clássicos de “quase lá”… mas ainda precisando achar a própria identidade para além do jogo.

Critica - Five Nights at Freddy’s 2
Ruim 1.5
Nota Cinesia 1.5 de 5
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