Wicked: Parte 2 | Um Clímax Épico, Emocional e Perfeito para o um dos maiores musicais da década

Danilo de Oliveira
6 Min de Leitura
5 Perfeito
Critica - Wicked: Parte 2

Quando Wicked – Parte 1 chegou aos cinemas, no fim do ano passado, o fenômeno foi imediato: mais de US$ 756 milhões arrecadados, dez indicações ao Oscar, dancinhas virais no TikTok, bonecos esgotados e o renascimento global de Defying Gravity nos karaokês de ocasião. Cynthia Erivo e Ariana Grande foram alçadas ao panteão das duplas icônicas, e Jon M. Chu consolidou sua visão cinematográfica para Oz. Mas, com todo esse impacto cultural, nasceu a responsabilidade gigantesca de Wicked: Parte 2: concluir uma das histórias mais amadas da Broadway e, ao mesmo tempo, dar sentido ao segundo ato — tradicionalmente considerado o mais problemático no palco.

Felizmente, Chu não apenas entende esse desafio como o transforma em virtude. Se no teatro o segundo ato soava apressado, no cinema ele respira. Cresce. Se amplia. E encontra o tom definitivo para encerrar essa jornada sobre poder, propaganda, preconceito e — acima de tudo — amizade.

Universal Pictures/Reprodução

Após ser declarada inimiga pública número 1, Elphaba (Cynthia Erivo) vive reclusa nas florestas, libertando animais escravizados sempre que pode e tentando derrubar a máquina política que transformou sua rebeldia em vilania pública. Enquanto isso, Glinda (Ariana Grande) ascende como símbolo oficial da “bondade” de Oz — uma peça de propaganda utilizada pelo Mágico (Jeff Goldblum) e por Madame Morrible (Michelle Yeoh) para reforçar um governo autoritário que se retroalimenta de mentiras.

Fiyero (Jonathan Bailey), agora oficial do exército, encontra-se dividido entre dever, amor e identidade. E os caminhos de Elphaba e Glinda voltam a se cruzar quando uma tentativa de conciliação com o Mágico desencadeia consequências devastadoras… sem contar o fato de que uma certa menina com sapatos de rubi está prestes a trilhar a estrada de tijolos amarelos.

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Chu já havia provado em Podres de Ricos e Em um Bairro de Nova York que sabe unir espetáculo e emoção. Aqui, ele atinge seu ápice. O diretor amplia Oz de forma ambiciosa e orgânica, fazendo aquilo que o teatro jamais permitiu: espaço, tempo e profundidade temática. A construção visual, desta vez menos saturada que na Parte 1, ressalta a decadência moral de uma terra governada por propaganda — e esse contraste faz cada explosão de cor cantar ainda mais alto. O ritmo é firme, o tom é maduro, e a sensação é de grandiosidade controlada. Nada é excessivo; tudo é necessário.

Cynthia Erivo entrega uma Elphaba devastada, potente e complexa. Seu solo “No Good Deed” provavelmente se tornará referência instantânea no cinema musical — um daqueles momentos que arrepiam até quem acha que não gosta de musicais. Ariana Grande, por sua vez, realiza sua melhor performance da carreira. Ela abandona trejeitos caricatos e encontra uma Glinda vulnerável, política e profundamente humana. Sua atuação é tão precisa que nos faz esquecer da popstar por trás da personagem. Em “For Good”, o dueto das duas é de partir o coração — o clímax emocional perfeito de uma amizade que define a obra.

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O elenco de apoio também brilha: Jonathan Bailey, dolorosamente dividido; Michelle Yeoh e Jeff Goldblum em interpretações que sintetizam manipulação institucional e poder midiático; Ethan Slater surpreendendo no arco sombrio de Boq; e Marissa Bode ressignificando Nessa com profundidade trágica.

A maior força de Wicked: Parte 2 está em como ela aprofunda temas que a Broadway apenas tocava: Propaganda política como arma, Criação de bodes expiatórios pelo governo, Amizade como resistência, A corrupção do heroísmo através da narrativa midiática. Chu e o roteiro de Winnie Holzman e Dana Fox amarram com carinho cada ponte entre Wicked e O Mágico de Oz. Nada parece colocado à força; tudo faz sentido. Ainda que o filme dependa minimamente do conhecimento prévio do clássico, essa intertextualidade é tratada com respeito e sensibilidade.

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Sim, é verdade: o primeiro filme veio com os maiores hits. A Parte 2 sofre dessa comparação inevitável. As duas canções inéditas cumprem seu papel, mas não brilham — com exceção de momentos musicais icônicos já mencionados: “No Good Deed” e “For Good”. Porem nada disso diminui a força do filme.

Wicked: Parte 2 é exatamente o que precisava ser — e, surpreendentemente, um pouco mais. Chu entrega um musical grandioso que não esquece do íntimo, que respeita a obra original mas ousa expandi-la, e que transforma o segundo ato antes criticado em um espetáculo devastador e belíssimo. É emocional sem ser piegas. É épico sem perder o foco. É terno sem perder a força política.

Universal Pictures/Reprodução

E, no fim, confirma o que o coração já sabia:
Essa sempre foi a história não contada das bruxas de Oz.
Uma história sobre coragem, injustiça, escolhas difíceis…
…e uma amizade que muda tudo. Para sempre.

“For good.”

Critica - Wicked: Parte 2
Perfeito 5
Nota Cinesia 5 de 5
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