Bom Menino | Um terror contado pelo melhor amigo do homem

Danilo de Oliveira
4 Min de Leitura
3.5 Muito Bom
Critica - Bom Menino

O ano de 2025 tem sido generoso com os fãs do terror, e Bom Menino chega para reforçar essa boa fase do gênero. Depois de produções que revitalizaram o estilo found footage e exploraram novas perspectivas — como Presença, que capturava o horror pelo ponto de vista de uma câmera corporal —, o longa dirigido por Ben Leonberg aposta em uma premissa tão simples quanto ousada: contar uma história sobrenatural pelos olhos de um cachorro.

A trama acompanha Todd (Shane Jensen), um jovem em luto e enfrentando uma doença grave, que decide se mudar com seu fiel cão Indy, um retriever da Nova Escócia, para a antiga casa do avô — uma propriedade isolada cercada por floresta, armadilhas e um passado sombrio. O que Todd não sabe é que o local abriga uma maldição familiar, e seu companheiro de quatro patas será o primeiro a perceber que algo está terrivelmente errado.

Paris Filmes/Reprodução

A narrativa alterna entre o olhar humano e a perspectiva canina — com a câmera posicionada na altura dos olhos de Indy —, criando uma imersão curiosa e inquietante. Ao mostrar o terror do ponto de vista de um animal, Leonberg transforma o banal em assustador: portas semiabertas, sombras e ruídos distantes se tornam ameaças palpáveis.

O maior acerto de Bom Menino está em sua direção sensorial. Leonberg sabe usar o silêncio, os ruídos da casa e a luz natural para construir uma tensão quase palpável. A fotografia fria e os enquadramentos claustrofóbicos reforçam o desconforto, tornando o espectador cúmplice do medo de Indy — um medo que nasce do instinto, não da razão.

Paris Filmes/Reprodução

Em um subtexto mais emocional, o filme fala sobre solidão, luto e a conexão entre homem e animal. Indy não é apenas testemunha do horror — ele é o protagonista moral, o único que enxerga o perigo e tenta proteger quem ama. Há momentos genuinamente tocantes, que transformam o terror em algo inesperadamente terno.

Enquanto a direção e a ambientação se destacam, o roteiro nem sempre acompanha o mesmo fôlego. O segundo ato repete padrões — ruídos, aparições, sustos previsíveis — e parece alongar uma história que funcionaria melhor como um curta. Ainda assim, o filme mantém o interesse graças ao carisma de seu protagonista canino, que entrega uma performance surpreendentemente expressiva (e mais convincente que muito ator de blockbuster).

Paris Filmes/Reprodução

A trilha sonora, por sua vez, merece destaque: discreta, mas poderosa, ela usa o som como instrumento de medo, explorando rangidos e silêncios que fazem o público duvidar da própria percepção — um recurso que remete ao terror atmosférico dos anos 2000.

Bom Menino pode não reinventar o gênero, mas acerta ao explorar o horror pela empatia. Através do olhar inocente de um cão, o filme revela o quanto o medo e o amor podem coexistir — e como, às vezes, é o instinto quem enxerga primeiro o mal.

Com uma ideia original, execução criativa e um protagonista irresistível, Bom Menino é mais um acerto no crescente hall de bons terrores de 2025. Uma experiência curta, tensa e, surpreendentemente, comovente — perfeita para assistir com o coração acelerado (e talvez o cachorro no colo).

Critica - Bom Menino
Muito Bom 3.5
Nota Cinesia 3.5 de 5
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