Tron: Ares | Um retorno eletrizante, mas com alma em modo de espera

Danilo de Oliveira
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3 Bom
Crítica - Tron: Ares

Nos últimos anos, Hollywood tem revivido franquias adormecidas com a mesma frequência com que reinicia seus servidores. Reboots, remakes e continuações tentam reacender a chama de clássicos que marcaram gerações — e Tron é um dos exemplos mais emblemáticos desse movimento. Após mais de uma década desde Tron: O Legado (2010), a Disney retorna ao universo digital com Tron: Ares (2025), uma nova incursão pelo choque entre o homem e a máquina — mas que nem sempre encontra o mesmo pulso que um dia eletrizou o público.

Em Tron: Ares, acompanhamos Ares (Jared Leto), um programa de inteligência artificial criado para fins militares que é transportado para o mundo real. Lá, ele vivencia o primeiro contato da humanidade com seres de IA tangíveis, em meio às ambições de Julian Dillinger (Evan Peters), herdeiro de um império tecnológico que busca transformar o digital em físico. Sob direção de Joachim Rønning (Malévola: Dona do Mal), o longa ainda conta com Greta Lee, Gillian Anderson e o retorno simbólico de Jeff Bridges.

Disney/Reprodução

Assim como os capítulos anteriores, Tron: Ares mergulha em dilemas filosóficos sobre o que define a humanidade — mas desta vez, a reflexão parece mais mecânica que emocional. A obra tenta explorar as fronteiras entre o artificial e o humano, mas tropeça em analogias já conhecidas, tornando sua narrativa previsível. Ainda assim, há momentos poéticos, como a percepção do protagonista diante da chuva — símbolo de uma natureza que a IA jamais compreenderá por completo.

Visualmente, o filme é um espetáculo. A fotografia de Jeff Cronenweth (Clube da Luta, A Rede Social) e os efeitos digitais elevam a estética neon da franquia a novos patamares. As cenas de ação, especialmente as perseguições de light cycles vermelhas, são pulsantes e cinematograficamente arrebatadoras. A trilha sonora do Nine Inch Nails injeta energia e melancolia na medida certa, ainda que sem alcançar o brilho icônico do Daft Punk em O Legado.

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Jared Leto entrega uma performance fria e calculada, que combina com o papel — mas carece de nuances emocionais que poderiam transformar o personagem em algo mais profundo. Greta Lee traz um sopro de humanidade à trama, enquanto Gillian Anderson e Evan Peters se destacam como mãe e filho em lados opostos do poder. No entanto, a direção de Rønning parece mais preocupada em impressionar visualmente do que em construir uma história com densidade dramática.

Tron: Ares é, sem dúvida, um espetáculo visual feito para ser visto em IMAX. Seu brilho técnico, sua trilha envolvente e suas coreografias de ação fazem dele uma experiência intensa. Contudo, ao tentar discutir o papel da IA na sociedade moderna, o longa se perde entre o filosófico e o superficial — entregando mais estilo do que substância.

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No fim, Tron: Ares é como o próprio protagonista: impecável por fora, mas ainda em busca de um coração verdadeiro.

Crítica - Tron: Ares
Bom 3
Nota Cinesia 3 de 5
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