SAG-AFTRA critica criação de “atriz de IA” e abre debate sobre o futuro da atuação no cinema

Danilo de Oliveira
3 Min de Leitura

A chegada da inteligência artificial ao entretenimento acaba de ganhar um novo capítulo polêmico. O sindicato dos atores SAG-AFTRA manifestou-se de forma contundente contra a criação de Tilly Norwood, considerada a primeira “atriz de IA”, desenvolvida pela cineasta e produtora Eline Van der Velden.

Em comunicado oficial, o sindicato rejeitou a ideia de reconhecer Tilly como atriz, classificando-a apenas como uma personagem gerada por computador. A nota afirma que a IA foi treinada com o trabalho de inúmeros profissionais sem permissão ou compensação, o que representa, segundo a entidade, uma violação direta da arte e do esforço humano.

“Para deixar claro, ‘Tilly Norwood’ não é uma atriz, é uma personagem gerada por um programa de computador que foi treinado com o trabalho de inúmeros profissionais, sem permissão ou compensação. Ela não tem experiência de vida da qual tirar inspiração, não tem emoção e, pelo que vimos, o público não está interessado em assistir a conteúdo gerado por computador que esteja desvinculado da experiência humana”, declarou o sindicato.

A entidade ainda reforçou que o uso de artistas sintéticos não soluciona nenhum problema na indústria, mas cria um novo: o de roubar performances de atores reais e colocar em risco seus meios de subsistência. Além disso, o SAG-AFTRA destacou que produtores signatários não podem usar IAs em produções sem cumprir obrigações contratuais que exigem aviso e negociação prévia.

De lançamento discreto à polêmica internacional

Tilly Norwood foi apresentada no início de 2025 de forma discreta, com perfis em redes sociais como TikTok, Instagram e YouTube. Apenas na semana passada, Van der Velden anunciou oficialmente a criação do estúdio de talentos de IA Xicoia, responsável por gerenciar a “carreira” da personagem digital.

A controvérsia ganhou força após o Zurich Summit, evento dedicado à indústria cinematográfica, onde foi revelado que agentes de talentos já estavam considerando representar Tilly como cliente real.

Reação de atores e ameaça de boicote

Nomes de peso de Hollywood também se manifestaram contra a novidade. Atrizes como Melissa Barrera, Kiersey Clemons e Toni Collette expressaram indignação nas redes sociais, apontando o risco da IA desvalorizar a profissão. Alguns chegaram até a sugerir boicotes a agências que aceitarem trabalhar com personagens digitais.

O caso reaquece o debate sobre os limites da tecnologia no cinema e na TV, especialmente em um momento em que os sindicatos lutam para garantir a proteção dos direitos dos artistas diante do avanço das inteligências artificiais.

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