Matadores de Aliens do Espaço Sideral é uma divertida festa trash repleta de nostalgia e referência com um toque brasileiro

Danilo de Oliveira
4 Min de Leitura
3 Bom
Critica - Matadores de Aliens do Espaço Sideral

Entre gosmas fluorescentes, sintetizadores pulsantes e criaturas vindas de um VHS perdido dos anos 80, Matadores de Aliens do Espaço Sideral resgata com entusiasmo o espírito descompromissado e deliciosamente cafona do cinema trash de horror. O longa mergulha sem medo na atmosfera que consagrou filmes como Palhaços Assassinos do Espaço Sideral, A Bolha Assassina e até Prova Final, entregando uma produção que é ao mesmo tempo homenagem e paródia a uma era onde tudo era exagerado — e tudo bem com isso.

No melhor estilo Sessão da Tarde, a trama acompanha Erick (Hall Mendes), o mascote do time de basquete da escola; Tobias (Felipe Hintze), o excêntrico nerd que mora em um furgão abarrotado de tralhas tecnológicas; e Gabi (Thay Bergamim), a líder de torcida durona que não leva desaforo pra casa. Quando criaturas alienígenas invadem a cidade, o trio se vê forçado a virar herói em uma jornada que mistura horror, pastelão, ação colegial e muitas, muitas referências à cultura pop oitentista.

Telecine/Reprodução

O grande charme de Matadores de Aliens do Espaço Sideral está na sua autenticidade e paixão pelo que representa. A ambientação escolar com armários metálicos, quadras de basquete e perseguições noturnas em corredores iluminados por luzes estroboscópicas cria uma sensação nostálgica instantânea. A trilha sonora recheada de sintetizadores é um deleite à parte, evocando John Carpenter com um toque brasileiro inusitado.

Mesmo com um orçamento limitado, os efeitos práticos abraçam a cafonice com orgulho, dando à produção uma personalidade própria. As criaturas são toscas? Sim. Mas isso é parte do charme. O filme entende seu lugar como trash assumido e não tenta fugir disso — e essa honestidade é louvável.

Telecine/Reprodução

As atuações exageradas funcionam dentro da proposta: Hall Mendes é simples e básico, Felipe Hintze vive um nerd quase cartunesco e Thay Bergamim traz um timing certeiro entre ação e humor. O trio funciona bem junto e segura a narrativa com carisma e energia juvenil.

Ainda que abrace o trash, o filme não escapa de tropeços técnicos. A dublagem parece propositalmente estranha em alguns momentos, mas beira o amadorismo em outros. A montagem corre contra o tempo em certos trechos, cortando cenas que poderiam desenvolver melhor os personagens ou explicar minimamente certas situações absurdas. O roteiro, por mais despretensioso que seja, por vezes se embanana nas próprias piadas e referências.

Telecine/Reprodução

Matadores de Aliens do Espaço Sideral é como aquela fita esquecida que você encontra no fundo do armário da locadora e, ao assistir, percebe que mesmo sem ser tecnicamente perfeita, ela tem alma, criatividade e um coração pulsando com energia nerd e amor ao cinema. É um filme para quem cresceu vendo monstros de borracha, heróis adolescentes e perseguições com trilhas sintéticas. É tosco? Sim. Mas também é divertido, livre e apaixonado. E às vezes, é só isso que o cinema precisa ser.

Se você procura algo refinado, passe longe. Mas se quer desligar o cérebro e curtir uma jornada trash nostálgica e descompromissada… embarque sem medo nessa nave maluca do horror pastelão brasileiro!

Critica - Matadores de Aliens do Espaço Sideral
Bom 3
Nota Cinesia 3 de 5
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