Verdade e Traição | História real sobre a coragem de um jovem que enfrentou o Terceiro Reich com as palavras

Priscila Dórea
7 Min de Leitura
IMDB | Divulgação
4 Ótimo
Critica - Verdade e Traição

Baseado em acontecimentos reais da Segunda Guerra Mundial, Verdade e Traição conta a história do jovem escritor Helmuth Hübener (Ewan Horrocks), de 16 anos, um adolescente alemão que confronta uma verdade terrível: ser leal ao país agora significa servir a uma mentira. Quando seu bispo exige obediência ao regime nazista e seu amigo Salomon Schwarz (Nye Occomore), que é judeu, é levado, ele começa a ouvir rádios proibidas e inicia uma resistência secreta. Em uma nação governada pelo medo, ele precisa decidir o que realmente significa ser um bom alemão.

Dirigido por Matt Whitaker, o filme nos apresenta a história de uma figura da Segunda Grande Guerra que poucas pessoas conhecem: um adolescente alemão que fez parte da Juventude Hitlerista, estagiava na prefeitura – o mais jovem a ser contratado na época – e que percebe que havia um problema naquele regime, sobretudo quando o bispo antissemita da igreja dos Santos dos Últimos Dias que frequenta, começa a levar ideais políticos para dentro do templo e um pouco depois Salomon é levado pela Gestapo – que o filme dá a entender que foi acionada pelo bispo.

Ele então decide desafiar o fascismo e lutar contra esse regime, mostrando aos outros alemães o que Adolf Hitler estava fazendo com o país, através da escrita.

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Não são poucos os filmes que temos sobre a Segunda Guerra Mundial, dos mais variados pontos de vista e tons diversos também – drama, sátira, comédia, aventura. É um período da história do mundo que ainda hoje causa curiosidade e interesse, então contar a história do jovem Helmuth é um bom acréscimo a esse conjunto de produções. Acho que o ponto mais interessante nas escolhas de Helmuth é que ele nunca realmente duvidou que o que estava fazendo era o certo a ser feito.

Não apenas porque o bispo estava saudando o Führer entre orações ou seu amigo havia sido arrancado de casa, mas também porque o que o país estava virando era tão absurdo, que não era possível que mais pessoas não estavam enxergando o quão errado o regime era. Ele começa a ter uma visão mais abrangente da situação quando seu irmão mais velho, que serve no exército alemão, volta para casa com um rádio de ondas curtas capaz de captar a BBC. O aparelho é proibido, mas dá a ele a perspectiva do outro lado da guerra.

Ele então pega emprestada uma máquina de escrever da igreja e começa a escrever panfletos antinazistas em papel vermelho e na calada da noite coloca esses panfletos nas caixas de correio das pessoas, nos murais de avisos e nos limpadores de para-brisa dos carros. Em pouco tem ele recruta os amigos, Karl-Heinz Schnibbe (Ferdinand McKay) e Rudi Wobbe (Daf Thomas), para a ajudar, e os panfletos não demoram a chamar a atenção do investigador da Gestapo, Erwin Mussener (Rupert Evans), que tomam quase como uma missão pessoal descobrir quem faz os panfletos.

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A partir daí, começa um sutil jogo de gato e rato, com a guerra crescente pesando sobre todos os envolvidos. Mussenger fica obcecado e então descrente quando descobre que o autor do bilhete é um dos jovens. É interessante ver os momentos de hesitação dele – fosse pela idade dos três, sobretudo o de Helmuth, que é o mais novo do trio, ou por estar duvidando do quão corretas são as ações do regime. Mussenger é apresentando como um nazista cruel, seguidor fiel do Führer e um temido torturador, e é bem lentamente que assistimos essa figura rachar um pouco diante da situação.

Dito isto, é importante ressaltar o quão boas são as atuações de todos do elenco – a esperada atuação que mostra verdade nas ações e olhares, realmente fazendo a gente ficar imerso na história, mesmo que não haja grandes planos elaborados de rebeldes contra um regime ditatorial. E esse é um ponto importante de ressaltar sobre o filme. As guerras não são feitas, conduzidas e finalizadas apenas com armas nas mãos, e é isso, no fim, o que o filme nos mostra. Todos podem lutar contra um sistema ao qual não concordam com o que têm a oferecer e nem sempre isso será a força do braço.

O filme cobre o último ano de vida de Helmuth, partindo dos acontecimentos que antecederam a sua ideia de escrever os panfletos, até ele ser condenado. E um fato histórico que torna o papel de Helmuth Hübener na Segunda Grande Guerra ainda mais interessante de contar, é que era altamente incomum que os nazistas julgassem um réu menor de idade. E muito menos o sentenciassem à morte por decapitação. Porém, o tribunal apontou que Helmuth havia demonstrado inteligência geral e política acima da média para um garoto e por isso deveria ser julgado como adulto.

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Quando estamos falando de uma história passada na guerra, até a mais simples das histórias possui uma força descomunal. Verdade e Traição é um filme muito interessante de assistir, pois não se trata de um rompante rebelde em uma luta contra o mal, mas sim a história de uma pessoa – uma pessoa muito jovem -, que resolve fazer algo quando percebe que, o que estava sendo imposto e dado como certo e ideal, estava longe disso.

Critica - Verdade e Traição
Ótimo 4
Nota Cinesia 4 de 5
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Jornalista e potterhead para toda eternidade, tem um amor nada secreto por mangás e picos de felicidade com livros em terceira pessoa. Além de colaboradora no Cinesia Geek, é repórter do Grupo A Tarde.