Existe algo quase cômico — e um tanto trágico — na forma como a franquia Os Estranhos foi ressuscitada com a ambição de se transformar em uma trilogia. O longa original de Bryan Bertino sempre funcionou como um exercício de terror cru e minimalista, baseado na tensão e no medo do inexplicável. Já essa nova leva comandada por Renny Harlin parece partir de uma premissa quase irônica: esticar uma ideia simples até o limite… e além dele. Nas críticas anteriores que publiquei no site , já era possível perceber o desgaste criativo no Capítulo 1, seguido por um Capítulo 2 que tentava, sem sucesso, expandir personagens rasos. Agora, com Capítulo Final, fica a pergunta inevitável: em que momento alguém achou que isso renderia três filmes?
A trama retoma os eventos imediatamente após o capítulo anterior, acompanhando Maya, vivida por Madelaine Petsch, tentando sobreviver ao pesadelo contínuo envolvendo os assassinos mascarados conhecidos como “Os Estranhos”. Após escapar por pouco, ela logo se vê novamente capturada, agora envolvida em um plano ainda mais absurdo: ser transformada em uma das próprias assassinas. Em meio a uma cidade dominada pelo medo e por figuras claramente suspeitas — incluindo o xerife local e outros moradores de intenções duvidosas — Maya precisa resistir até que algum tipo de resgate chegue, enquanto confronta não apenas seus perseguidores, mas a própria lógica distorcida que rege esse universo.

O problema é que, assim como nos filmes anteriores, quase nada aqui se sustenta. O roteiro assinado por Alan R. Cohen e Alan Freedland não apenas falha em criar tensão, como também parece completamente desinteressado em desenvolver qualquer ideia com profundidade. Há uma sensação constante de vazio narrativo, como se os acontecimentos simplesmente existissem para preencher tempo de tela. Momentos que deveriam carregar peso emocional — mortes, revelações ou confrontos — passam sem impacto, reforçando aquela impressão já destacada nas críticas anteriores: não há nada acontecendo por baixo dos panos.
No campo das atuações, a situação não melhora. Madelaine Petsch, que ainda conseguia sustentar algum nível de engajamento nos capítulos anteriores, aqui parece completamente desconectada. Sua Maya atravessa o filme com uma expressão apática, quase anestesiada, como se já tivesse desistido da própria história. É um reflexo direto da falta de material dramático oferecido à personagem, que passa boa parte do tempo reagindo de forma mínima a eventos extremos. O restante do elenco segue a mesma linha, com personagens descartáveis que entram e saem da narrativa sem deixar qualquer impressão.

A direção de Renny Harlin, conhecido por trabalhos energéticos no passado, também soa cansada. Não há senso de urgência, nem construção de suspense — elementos essenciais para o gênero. As cenas de perseguição e violência carecem de criatividade e intensidade, e até mesmo as mortes, que poderiam ao menos funcionar como entretenimento visceral, são surpreendentemente sem impacto. É como se o filme tivesse medo de ser brutal, mas também não soubesse ser psicológico.
Talvez a maior falha de Os Estranhos: Capítulo Final esteja na tentativa equivocada de explicar demais aquilo que originalmente era assustador justamente por ser inexplicável. Ao inserir motivações, origens e até uma lógica interna para os assassinos, o longa esvazia completamente o terror. O mistério dá lugar ao genérico, e o que antes era inquietante se transforma em algo previsível e, pior, desinteressante. É uma escolha que evidencia a incompreensão total do que fez o original funcionar.

Pra finalizar, Os Estranhos: Capítulo Final não é apenas um encerramento fraco — é a confirmação de um projeto que nunca deveria ter existido nesse formato. Sem tensão, sem propósito e sem identidade, o filme encerra uma trilogia marcada por decisões equivocadas do início ao fim. Para os fãs de terror, resta a frustração de ver uma ideia potente ser diluída em três capítulos vazios. E para Hollywood, fica o lembrete: nem toda história precisa — ou merece — ser transformada em franquia.


