Super Mario Galaxy: O Filme | Sequência ambiciosa expande o universo da Nintendo de forma mais confiante e maravilhosamente divertida

Danilo de Oliveira
5 Min de Leitura
4 Ótimo
Critica - Super Mario Galaxy: O Filme

Durante décadas, adaptações de videogames para o cinema foram tratadas como apostas incertas, quase sempre incapazes de capturar a essência dos jogos. No entanto, Hollywood finalmente começou a entender o caminho — e muito disso se deve ao sucesso de franquias como Sonic the Hedgehog e, principalmente, Super Mario Bros. – O Filme, que mostraram que respeitar o material original e abraçar sua identidade é o segredo. Três anos após o estrondoso sucesso do encanador mais famoso do mundo, a Nintendo retorna aos cinemas com Super Mario Galaxy: O Filme, uma sequência que não só amplia a escala da aventura, como também celebra os 40 anos de um dos personagens mais icônicos da cultura pop.

Dessa vez, a história leva Mario, Luigi e Peach para além do Reino Cogumelo, mergulhando em uma jornada intergaláctica. Quando Bowser Jr. sequestra a enigmática Princesa Rosalina, conhecida como a Mãe das Estrelas, os heróis precisam atravessar diferentes planetas e galáxias para impedir que o vilão execute seu plano. No caminho, eles encontram novos aliados — incluindo o carismático Yoshi — enquanto lidam com a inesperada presença de Bowser, que retorna em uma versão diferente, explorando um lado mais emocional ligado à paternidade.

Nintendo/Divulgação

Se o primeiro filme foi criticado por sua simplicidade narrativa, Super Mario Galaxy responde com ambição de sobra. A direção aposta em uma experiência mais grandiosa, explorando múltiplos cenários, mecânicas e referências dos jogos, especialmente da fase “Galaxy”. Visualmente, é um espetáculo: a animação brinca com gravidade, escala e cores de maneira criativa, entregando sequências que capturam com precisão a sensação dos games. Há ainda experimentações interessantes, como a inserção de estilos 2D e até trechos que remetem à estética 8 e 16 bits, reforçando o caráter celebratório da produção.

Outro grande acerto está na exploração dos personagens. Yoshi rouba a cena com facilidade, não apenas pelo humor, mas pela química deliciosa que constrói com Luigi, criando uma dinâmica leve e cativante que lembra grandes duplas da cultura pop. Bowser, por sua vez, continua sendo um dos pilares da franquia, mas aqui ganha profundidade ao explorar seu lado paterno, equilibrando ameaça e emoção de forma surpreendentemente eficaz. Até mesmo Peach ganha mais protagonismo em ação, reforçando sua evolução como personagem ativa dentro da narrativa.

Nintendo/Divulgação

Embora o filme apresente muitos personagens e ideias — o que poderia facilmente se tornar um problema —, a condução segura faz com que essa abundância funcione bem, apesar de alguns excessos. Participações especiais, como a de Fox McCloud, surgem de forma orgânica e reforçam a sensação de que a Nintendo está construindo algo maior, um universo compartilhado que dialoga diretamente com o legado dos games.

Como disse, há alguns excessos, visto que a própria Rosalina que possui uma história profunda, é apenas arranhada pelo roteiro do filme, e seria excelente dar espaço para esse crescimento , uma boa oportunidade para se aproveitar no futuro e desacelerar o povoamento desse universo.

Nintendo/Divulgação

Ainda assim, Super Mario Galaxy: O Filme acerta onde mais importa. A trilha sonora, mais fiel aos jogos desta vez, abandona excessos de músicas licenciadas e aposta em composições que evocam diretamente a nostalgia dos fãs. A direção também demonstra mais confiança, permitindo que o universo se desenvolva com identidade própria, sem depender tanto de explicações básicas.

No aspecto técnico, a animação atinge um novo patamar. As cenas de ação são dinâmicas, inventivas e perfeitamente coreografadas, capturando a essência dos jogos de plataforma em movimento constante. Há uma energia vibrante que percorre todo o longa, tornando a experiência empolgante do início ao fim.

Nintendo/Divulgação

Para finalizar, Super Mario Galaxy: O Filme é um passo ousado na evolução das adaptações de games no cinema. Mais ambicioso, mais caótico e, ao mesmo tempo, mais fiel ao espírito da franquia, o filme prova que Mario ainda tem muito a explorar nas telonas. Ao trazer nostalgia, inovação e espetáculo em um combo perfeito, o longa consolida o personagem como um dos poucos capazes de transitar com sucesso absoluto entre videogames e cinema. Uma celebração digna de seus 40 anos e um forte indicativo de que o futuro das adaptações de games nunca pareceu tão promissor.

Critica - Super Mario Galaxy: O Filme
Ótimo 4
Nota Cinesia 4 de 5
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