A aguardada cinebiografia Michael acaba de entrar no centro de uma controvérsia que vai além das telas. Paris Jackson, filha de Michael Jackson, iniciou uma ofensiva judicial contra os executores do espólio do artista, colocando em xeque não apenas a administração financeira da herança, mas também decisões criativas e estratégicas envolvendo o longa.
Segundo informações divulgadas pelo TMZ, a disputa envolve diretamente John Branca e John McClain, responsáveis pela gestão do patrimônio do Rei do Pop. Paris demonstrou preocupação com o envolvimento de Branca na produção do filme, criticando especialmente a escolha de Miles Teller para interpretá-lo na trama. A decisão foi classificada como “peculiar”, com questionamentos sobre o custo elevado do ator e seu potencial retorno nas bilheterias.
A polêmica se intensifica ao abordar o orçamento da produção, estimado em cerca de US$ 150 milhões. De acordo com Paris, a falta de experiência dos executores em grandes projetos cinematográficos teria gerado uma série de problemas, incluindo gastos adicionais de dezenas de milhões de dólares com refilmagens. Parte dessas despesas teria sido causada por impasses contratuais que impediram o uso de cenas já gravadas, tornando o projeto — que possui cerca de 3,5 horas de duração — “problemático” em sua execução.
O embate também expõe números expressivos envolvendo o espólio. Paris alega que Branca e McClain receberam US$ 7,9 milhões apenas em 2021, acumulando mais de US$ 148 milhões desde a morte do cantor em 2009. Para ela, os recursos estariam sendo direcionados para investimentos de alto risco, sem garantias claras de retorno financeiro.
Do outro lado, a defesa dos executores, representada pelo advogado Jonathan Steinsapir, rejeitou as acusações, classificando-as como infundadas e parte de uma tentativa de desgaste público. A argumentação destaca que o espólio herdou uma dívida de aproximadamente US$ 500 milhões e foi transformado em um negócio bilionário ao longo dos anos. A defesa também ressalta que Paris já teria recebido cerca de US$ 65 milhões, além de citar o sucesso de iniciativas como o espetáculo do Cirque du Soleil e o documentário This Is It como provas da eficiência da gestão.
Caso você não saiba, o espólio é a entidade jurídica responsável por administrar todos os bens, direitos autorais e dívidas deixados por Michael Jackson após sua morte. Ele é gerido por executores que tomam decisões sobre licenciamento de músicas, lançamentos póstumos e investimentos cinematográficos para garantir a manutenção do patrimônio dos herdeiros. A cinebiografia de Michael Jackson é fruto desta administração já citada.
Para além da disputa judicial, Michael segue como uma das produções mais aguardadas do ano. O longa será estrelado por Jaafar Jackson, sobrinho do cantor, que interpretará o astro em diferentes fases de sua vida e carreira. O elenco ainda inclui nomes como Colman Domingo e Kat Graham, sob direção de Antoine Fuqua, conhecido por trabalhos como O Protetor.
Com estreia marcada para 23 de abril nos cinemas brasileiros, a cinebiografia promete revisitar os momentos mais icônicos da trajetória de Michael Jackson — agora cercada por uma disputa nos bastidores que pode impactar diretamente a percepção do público sobre o projeto.

