A Empregada | Thriller sexy e venenoso transforma o best-seller de Freida McFadden em puro entretenimento tóxico (no bom sentido rsrs)

Danilo de Oliveira
5 Min de Leitura
Paris Filmes/Reprodução
3.5 Muito Bom
Critica - A Empregada

Poucos livros dominaram tanto as listas de mais vendidos nos últimos anos quanto “A Empregada”, de Freida McFadden. O suspense virou febre no TikTok, atravessou clubes de leitura e se consolidou como aquele tipo de história impossível de largar. Agora, em 2025, o fenômeno ganha sua aguardada adaptação cinematográfica, e a boa notícia é que Hollywood entendeu exatamente o que esse material pede: exagero calculado, tensão constante e personagens que nunca são o que parecem.

Em A Empregada, acompanhamos Millie, uma jovem com um passado nebuloso que consegue um emprego aparentemente perfeito como empregada na mansão de um casal riquíssimo. O que começa como uma chance de recomeço logo se transforma em um jogo psicológico perigoso. Tanto Millie quanto seus patrões escondem segredos perturbadores, e, à medida que a convivência se intensifica, a casa luxuosa se revela um ambiente sufocante, onde manipulação, desejo e violência emocional caminham lado a lado.

Sob a direção de Paul Feig, conhecido por brincar com gêneros e subverter expectativas (Um Pequeno Favor), A Empregada se assume como um thriller psicológico exagerado, sensual e deliciosamente escandaloso. Feig acerta ao tratar o material sem pudores: o filme abraça o melodrama, flerta com o humor ácido e constrói sua tensão a partir da troca constante de pontos de vista, dividindo a narrativa em atos que colocam cada personagem como centro emocional da história.

Paris Filmes/Reprodução

O roteiro de Rebecca Sonnenshine é um dos grandes trunfos da adaptação. Em vez de seguir o livro de forma engessada, o texto preserva os elementos mais fortes da obra original — personagens ambíguos, atmosfera claustrofóbica e temas sociais incômodos — enquanto adiciona uma camada ainda mais sombria. Questões como misoginia, abuso psicológico, violência doméstica e relações de poder surgem de maneira direta, sem didatismo, reforçando o caráter tóxico daquele microcosmo de elite.

O ritmo é outro acerto. Mesmo com cerca de 130 minutos, o filme passa voando ao misturar suspense, humor ácido e tensão sexual. As cenas mais ousadas envolvendo a personagem de Sydney Sweeney podem causar desconforto em espectadores mais conservadores, mas são essenciais para o desenvolvimento psicológico da trama e para o entendimento das dinâmicas de poder em jogo.

E se o filme funciona tão bem, a culpa é quase inteiramente do elenco afiadíssimo. Sydney Sweeney entrega uma atuação inicialmente contida, construída no silêncio, nos olhares e na sensação constante de alerta. Aos poucos, sua Millie revela camadas mais agressivas e imprevisíveis, mostrando a boa versatilidade da atriz, apesar das recentes polêmicas. Amanda Seyfried, por sua vez, rouba a cena com uma performance propositalmente exagerada, quase novelística, transformando Nina em uma figura hipnótica, instável e fascinante. As duas funcionam como lados opostos da mesma moeda — vítima e algoz se confundem o tempo todo — e a química entre elas sustenta o filme do início ao fim.

Brandon Sklenar completa o trio central apostando na ambiguidade silenciosa. Seu personagem parece sempre deslocado, mas nunca inocente, e o roteiro é inteligente ao não entregar respostas fáceis. Visualmente, o longa também impressiona: a fotografia elegante cria um contraste claro entre o luxo estéril da alta sociedade e a sensação de aprisionamento emocional, usando simetrias, enquadramentos fechados e uma paleta que oscila entre o erótico e o ameaçador.

Paris Filmes/Reprodução

Nem tudo é perfeito. Algumas reviravoltas são previsíveis para quem já conhece o gênero — ou o livro —, e certos temas ficam na superfície. Ainda assim, o próprio filme parece consciente disso, assumindo seu caráter despretensioso e escapista, interessado mais em provocar prazer e choque do que em reinventar o suspense psicológico.

A Empregada é exatamente o tipo de adaptação que entende seu público. Exagerado, intenso, sexy e venenoso, o filme não apenas respeita o best-seller de Freida McFadden como, em muitos momentos, supera o material de origem. Sustentado por atuações magnéticas de Sydney Sweeney e Amanda Seyfried, o longa transforma segredos, mentiras e relações de poder em um espetáculo perturbador e irresistível. Uma “farofada” de luxo, feita para incomodar, divertir e grudar na mente do espectador muito depois dos créditos finais.

Assista sem saber demais — e aproveite cada revelação.

Critica - A Empregada
Muito Bom 3.5
Nota Cinesia 3.5 de 5
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