Entre Pesadelos e Redenção: O Telefone Preto 2 é um Chamado que Vale Atender

Danilo de Oliveira
4 Min de Leitura
4 Ótimo
Critica - O Telefone Preto 2

O ano de 2025 tem sido uma verdadeira celebração para os amantes do terror. Produções como Pecadores, Faça Ela Voltar e A Hora do Mal mostraram que o gênero vive um de seus períodos mais criativos e intensos. E, agora, “O Telefone Preto 2” chega para consolidar esse momento, provando que o medo ainda tem novas vozes — e, neste caso, novas chamadas.

Quatro anos após a fuga de Finn (Mason Thames) e a morte do temido Sequestrador (Ethan Hawke), o passado volta a assombrar. O jovem, ainda marcado por traumas, tenta lidar com as cicatrizes de seu sequestro enquanto sua irmã, Gwen (Madeleine McGraw), passa a receber estranhas ligações em sonhos. Essas visões a conduzem até um misterioso acampamento de inverno, onde presenças sombrias e ecos do sobrenatural os aguardam. Mas o verdadeiro terror se revela quando o mal do passado decide atender novamente — e dessa vez, o chamado é mais forte, mais frio e mais pessoal do que nunca.

Universal Pictures/Reprodução

O diretor Scott Derrickson, conhecido por O Exorcismo de Emily Rose e A Entidade, retorna com segurança à cadeira de direção, conduzindo uma sequência que se equilibra entre o terror psicológico e o sobrenatural, sem se render ao óbvio. Enquanto o primeiro filme explorava o horror da infância e o medo do desconhecido, a sequência investe no peso do trauma e da perda da inocência.

O roteiro de Derrickson e C. Robert Cargill não se limita a continuar uma história: ele a expande com propósito. Ao abordar fé, trauma e redenção, o filme estabelece uma dualidade entre o bem e o mal que transcende o sobrenatural. Em meio ao horror, há humanidade — e essa combinação dá força à narrativa, tornando O Telefone Preto 2 mais do que uma simples sequência: um estudo sobre cicatrizes que o tempo não apaga.

Universal Pictures/Reprodução

A dinâmica entre Finn e Gwen ganha novo fôlego — e, aqui, Gwen emerge como a verdadeira protagonista. Madeleine McGraw entrega uma performance madura e intensa, consolidando sua personagem como uma das grandes “final girls” do terror recente. Já Mason Thames transparece a confusão e a raiva típicas da adolescência marcada por cicatrizes invisíveis.

Derrickson utiliza o terror não apenas como instrumento de susto, mas como metáfora da dor e da superação. O retorno do Sequestrador, agora em uma forma espectral, é tratado com um equilíbrio fascinante entre o místico e o trágico. Ethan Hawke, mesmo escondido pela máscara, entrega uma atuação perturbadora e magnética, reafirmando sua presença como um dos vilões mais icônicos do terror contemporâneo.

Universal Pictures/Reprodução

Visualmente, o filme é uma aula de fotografia e design de produção. Com câmeras Super 8 e texturas granuladas que remetem ao cinema dos anos 1980, o longa constrói uma atmosfera que mistura nostalgia e pesadelo. A trilha sonora e o design de som — arranhado, analógico, quase sensorial — elevam o desconforto e mergulham o espectador em uma experiência profundamente imersiva.

O Telefone Preto 2 é o raro caso em que uma sequência supera o original. É mais ousado, mais maduro e mais emocional. Mesmo tropeçando em alguns clichês e momentos de exposição excessiva, o filme mantém um domínio técnico e narrativo admirável.

No fim, Derrickson prova que o verdadeiro terror não está apenas no sobrenatural, mas nas feridas que insistem em não cicatrizar.

Critica - O Telefone Preto 2
Ótimo 4
Nota Cinesia 4 de 5
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