A Fórmula 1 sempre foi uma mistura perfeita entre velocidade, emoção e rivalidade – ingredientes que o cinema adora transformar em narrativas de superação e adrenalina. Desde os clássicos como Dias de Trovão até o elogiado Rush: No Limite da Emoção, o universo das corridas continua a fascinar espectadores. Agora, com F1 (2025), Hollywood dá uma nova volta nessa pista com estilo e potência, pelas mãos de Joseph Kosinski, diretor que já havia provado seu domínio sobre o blockbuster moderno em Top Gun: Maverick. A parceria com a Apple e a presença estelar de Brad Pitt garantem ao filme o status de um dos eventos cinematográficos mais empolgantes do ano.
F1 acompanha Sonny Hayes (Brad Pitt), um ex-piloto promissor dos anos 1990 que, após um grave acidente, passou duas décadas competindo em categorias alternativas ao redor do mundo. Aos 56 anos, ele recebe um convite improvável para retornar à Fórmula 1 como piloto da decadente equipe fictícia APXGP — última colocada no campeonato e ameaçada de extinção. Ao seu lado, está o jovem talento Joshua Pearce (Damson Idris), uma estrela em ascensão que precisa aprender a lidar com a pressão, a fama e, agora, com a presença desconcertante de um veterano.

O desafio é claro: conseguir ao menos uma vitória antes do fim da temporada para evitar a venda do time. Com isso, o filme mergulha em uma jornada de redenção, rivalidade, companheirismo e choque de gerações, tudo isso embalado por GPs reais, adrenalina e uma trilha sonora que transforma cada corrida em um espetáculo cinematográfico.
F1 é dividido, de certa forma, em três filmes sobrepostos: Um drama esportivo sobre redenção pessoal, uma espécie de reality-show da Fórmula 1, com bastidores explosivos e espionagem corporativa e um blockbuster à moda antiga, onde cada sequência é milimetricamente pensada para maximizar impacto e emoção.
Joseph Kosinski entrega mais do que um “filme de corrida”. Ele entrega cinema em alta velocidade. As cenas das corridas são uma aula de direção técnica: captadas em autódromos reais com câmeras embutidas nos carros e um uso primoroso de som (cortesia de Hans Zimmer), fazem o espectador praticamente sentir a força G das curvas fechadas. Assim como em Top Gun: Maverick, Kosinski aposta no realismo visceral e no impacto sensorial para prender o público. O resultado é uma imersão total, comparável à de um videogame de última geração, mas com o peso emocional que só o cinema consegue entregar.

Brad Pitt está carismático e preciso como Sonny Hayes — um tipo de “cowboy das pistas” que não precisa provar mais nada a ninguém, mas que insiste em correr não por ego, mas por paixão. O personagem emana sabedoria e arrogância em igual medida, e funciona como um espelho para muitos homens maduros em busca de propósito num mundo que insiste em descartá-los.
Damson Idris, como o jovem Pearce, tem espaço para crescer e brilhar, não apenas em cenas de tensão nas pistas, mas também em embates verbais e emocionais com Pitt. Sua trajetória evita clichês mais fáceis e adiciona uma camada emocional que evita tornar F1 apenas um desfile de motores.
O elenco de apoio é igualmente funcional. Javier Bardem está ótimo como o chefe da equipe, e Kerry Condon brilha como a engenheira-chefe que precisa manter tudo funcionando em meio ao caos. Há também espaço para personagens cativantes nos bastidores, como os mecânicos e estrategistas da APXGP, que reforçam o senso de equipe e humanizam a jornada.

Há também críticas sociais sutis, especialmente em torno do etarismo. O filme propõe uma discussão interessante: o que acontece com aqueles que são descartados pelo simples fato de envelhecerem? Hayes, ao ocupar novamente o cockpit, vira símbolo de resistência, coragem e, acima de tudo, de relevância. Em tempos em que a juventude é quase um pré-requisito para o sucesso, F1 faz um pit stop necessário para lembrar que a experiência ainda tem muito valor a oferecer.
Claro que nem tudo cruza a linha de chegada sem tropeços. O roteiro às vezes peca pela exposição excessiva e por frases de efeito que soam artificiais. Algumas reviravoltas — como traições, acidentes e espionagem — são previsíveis e remetem ao manual do cinema esportivo tradicional. Além disso, o desenvolvimento de alguns coadjuvantes é superficial, com diálogos que soam mais como slogans do que como conversas reais.
Ainda assim, a experiência visual e emocional é tão envolvente que esses tropeços são rapidamente ultrapassados na reta final. A conclusão é poderosa, com uma última corrida que justifica cada minuto da jornada até ali — tanto na pista quanto fora dela.

Pra finalizar, F1 (2025) é uma carta de amor ao cinema de ação, ao automobilismo e àqueles que se recusam a ficar no retrovisor da vida. Com direção firme, atuações marcantes e cenas de corrida de tirar o fôlego, o filme de Joseph Kosinski não apenas homenageia a Fórmula 1, como transforma o cinema em um circuito de emoções. É o tipo de blockbuster que justifica o ingresso Imax, a pipoca e a vibração coletiva da sala escura.
Seja você um apaixonado por velocidade ou apenas alguém em busca de uma boa história de superação, F1 é aquele tipo de filme que faz o coração acelerar — e, no fim, deixa um gosto doce de vitória, mesmo depois da bandeirada final.


