“Anda adora Coarsegold Onine, um RPG massivo no qual passa boa parte do seu tempo livre. É um lugar onde ela pode ser uma líder, uma lutadora, uma heroína. É um lugar onde ela pode encontrar pessoas do mundo todo e fazer novos amigos.

Só que as coisas começam a ficar um pouco complicadas quando Anda fica amiga de um Gold Farmer – um garoto chinês pobre cujo o avatar literalmente colega objetos valiosos e os vende para jogadores de países desenvolvidos com dinheiro pra gastar. Ester comportamento é totalmente contra as regras do Coarsegold, Ande percebe que os conceitos de certo e errado são um pouco menos rígidos quando o sustento de uma pessoal real está em jogo.”

Com essa premissa é fácil definir um pouco da obra do jornalista e romancista Cory Doctorow e da cartunista Jen Wang, uma vez que essa obra retrata temas tão complexos de uma forma tão atual, usando um conceito que atraí todos os tipos de pessoas hoje em dia: O mundo virtual.

A Hq autoral retrata a realidade sobre a adolescência e seus problemas de interação social nos dias de hoje uma vez que a personagem principal Anda, possuiu poucos amigos e os poucos que tem são gamers de RPG tipo D&D mas que fora essa interação eles não dividem experiências nem compartilham de novas amizades fora do seu círculo.

Uma vez que Anda, adentra nesse RPG online por indicação em sua escola e sobre forte resistência dos seus pais, ela passa a descobrir uma nova forma de interação social ao fazer amizade com um grupo especial (uma espécie de clã), o que a faz se sentir mais confiante e feliz, o que Anda não sabe é existem atividades ilegais dentro do jogo como forma de obter dinheiro real para outras pessoas com maior poder aquisitivo.

Seduzida por aceitação, Anda mesmo relutante participa dessas atividades expulsando personagens que eles chamam de Gold Farmer que são geralmente estrangeiros de países subdesenvolvidos e que eles possuem extremo preconceito contra eles.

Numa dessas investidas, Anda acaba fazendo amizade com um rapaz chinês que se denomina como Reymond, e acaba percebendo que a realidade dos ditos Gold Farmers na vida real é pesada e difícil, onde seu único alívio seja viver no mundo virtual.

Entre conversar e dilemas, Anda e Reymond descobrem o grande choque cultural que suas vidas possuem fora das telas dos games e as dificuldades que cada um tem e sonha em resolver.

Confesso que achei a HQ uma bela e bem trabalhada. Sua premissa é muito instigante fazendo você a ler tudo desde uma introdução que autor faz com muito conhecimento sobre ativismo, estrutura social o a ascensão dos games para com a vida das pessoas nos dias atuais, bem como as dificuldades da vida e as diferenças culturais presentes.

A artista Jen Wang demonstra uma habilidade em sua arte que lembra muito dos desenhos Steven Universo e A Hora da Aventura, sem sobrecarregar em muitos detalhes, mas deixando claro seu conhecimento visual dos conceitos dos games de RPG que surpreendem em sua narrativa visual.

Fico aliviado em ver obras desse calibre, feita para todas as idades disponível no mercado nacional dando um respiro em meio a um mar de Hqs americanas e europeias de super heróis definidos.

A edição brasileira é bem próxima em quesitos estéticos da versão americana, com um visual limpo e bem escolhido em suas cores desde a lobada quadrada e sua orelha, folha de rosto, em termos editoriais me satisfez bastante além de deixar um visual bonito na estante após a leitura.

Por ser uma edição única, vale muito a pena ler e conhecer por uma outra ótica sobre questões tão presentes no nosso dia a dia e que a nossa cultura nos relembra a cada instante, definitivamente é uma HQ que vale o investimento e que serve não somente para gamers, mas para leitores de todas as idades.