Desde de 2004 quando Elektra estreou com sua esquecível adaptação que não vemos filmes solos protagonizados por mulheres aportarem nas telas. Bom pra ser mais exato as heroínas nunca tiveram um filme digno de fazer jus a sua imagem e reconhecimento. Agora a historia mudou: A super-heroína mais famosa de todos os tempos finalmente ganha seu próprio filme, 75 anos após sua criação. Na verdade, estamos diante da melhor adaptação da DC desde a trilogia do Batman de Nolan. Mulher Maravilha surge para dar nova vida ao novo universo da companhia, prejudicado pelo irregular Batman Vs Superman – A Origem Da Justiça e pelo trágico Esquadrão Suicida.

A trama principal tem início em Temiscira, a ilha das amazonas, à parte do mundo dos homens, habitada somente por essas mulheres guerreiras. A paz que tanto cultivavam é interrompida quando o avião de Steve Trevor (Chris Pine) cai em uma das praias da ilha. Após salvá-lo, Diana (Gal Gadot) e as outras amazonas descobrem da Grande Guerra que assola todo o mundo exterior. Compelida a lutar pela paz, aquela que ficaria conhecida como a Mulher-Maravilha decide partir junto desse homem, na esperança que ele o leve até Ares, quem a guerreira acredita que está causando todo o conflito, em razão das histórias que escutara quando criança.

Um dos melhores aspectos do filme é que se trata de uma história auto-contida. Há, sim, suas referências ao restante do Universo Estendido DC, mas nada mais que isso, pois o foco, aqui, está em quem deveria estar: Diana. O roteiro de Allan Heinberg faz o ótimo serviço de trabalhar a personalidade de sua protagonista, valorizando suas aspirações, tornando-a, desde cedo na projeção, em um ícone de representatividade, alguém que acredita na bondade da humanidade, que sabe o que quer e luta para conseguir o que deseja, sem se importar com o que os outros pensam. Há um ar leve ao redor da personagem, a inocência que beira a ingenuidade, característica tão presente naqueles que sonham.

A forma como a mitologia é abordada é orgânica e elementos fantásticos como seu laço e braceletes são introduzidos de forma simples e precisa, sem exagerar na mão e nem esconder a origem da personagem, é um grande trunfo da obra. As cenas na ilha das Amazonas são ótimas, a chegada de Steve Trevor (Chris Pine) e a ida de Diana a Londres são bem montadas e a atuação da Mulher-Maravilha na primeira guerra mundial é memorável.

Todo esse mérito se dar a Gal Gadot que encanta mais uma vez como a protagonista. Seu jeito ingênuo e bondoso é capaz de conquistar o espectador, mesmo quando sua atuação não é tão convincente quanto poderia.Contra tudo e contra todos Gal passou por cima das críticas e trouxe uma personagem que todas as mulheres merecem ter como representante. Além disso, Chris Pine está muito bem como Steve Trevor (seu charme ajuda), e o mesmo acontece com Connie Nielsen, como Rainha Hipólita e Robin Wright como General Antiope.

Infelizmente, os outros personagens secundários, especificamente aqueles que conhecemos no segundo ato da obra  não tem tanto valor para obra. Tratam-se de indivíduos introduzidos um a um, mas que são esquecidos ao longo da história, não desempenhando nenhum papel de destaque. Se fossem substituídos por personagens sem grande distinção, presentes apenas para emprestar um maior realismo à obra, não perderíamos tanto tempo os conhecendo, o que garantiria maior fluidez à trama.

Nas cenas de ação embora se apoiando muito no que Synder fez em A Origem da Justiça com vários takes em câmera lenta( o que prejudica algumas cenas por causa do CGi mal executado,dando uma ideia de cena de videogame) Patty Jenkins extrair bem as habilidades de Diana e valoriza bastante a coreografia das amazonas.

O longa peca também nos vilões, como já virou padrão em adaptações de HQs. Tanto Elena Anaya como Doutora Veneno quanto Danny Huston como General Erich Ludendorff não acharam o tom correto e ficam muito caricatos, muitas vezes atrapalhando a imersão criada pela boa trama. Entretanto, o verdadeiro antagonista da obra é a guerra e a capacidade da humanidade de causar o mal aos seus semelhantes.

Mais o principal calcanhar de Aquiles do longa são: o excesso de computação gráfica e a montagem do clímax. Claro que o CGI se faz necessário em vários momentos, mas ele se torna desconfortavelmente explícito mais de uma vez, transmitindo o tão temido ar de artificialidade. Na maior parcela da obra isso se apresenta, mas não estraga o que vemos em tela, o problema está no clímax em si, que acaba se tornando tão genérico que nossa vontade é que ele acabe de uma vez e que tudo seja resolvido.

Mesmo assim Mulher-Maravilha configura-se como o definitivo acerto do Universo Estendido DC. Com boas atuações, roteiro bastante redondo e algumas sequências de ação que valorizam a personagem,trazendo não só uma heroína como uma mulher real, com falhas, sentimentos e ambições, a obra certamente não desapontará.E desde de já queremos mais Girls Power nos cinemas!