Zoopocalipse – Uma Aventura Animal | Zumbis de jujuba, humor afiado e uma inesperada homenagem ao terror

Danilo de Oliveira
3 Min de Leitura
3 Bom
Critica - Zoopocalipse: Uma Aventura Animal

Nos últimos anos, o cinema de animação fora do eixo Disney, DreamWorks e dos estúdios orientais vem conquistando espaço ao explorar temas pouco convencionais. Entre obras independentes e produções que ousam romper com a fórmula do “felizes para sempre”, surge Zoopocalipse – Uma Aventura Animal (2025), uma aposta curiosa que une humor leve, estética chamativa e referências diretas a clássicos do terror.

Inspirado em uma ideia original de Clive Barker (Hellraiser – Renascido do Inferno), o longa conta a história de Grace, uma jovem loba que, junto de outros animais de um zoológico, precisa sobreviver a um surto de zumbis — mas aqui, transformados em jujubas fluorescentes. A trama rapidamente se desenrola como uma mistura improvável entre Madagascar (2005) e as criações de George Romero, resultando em uma aventura que oscila entre o lúdico e o sombrio.

Diamond Films/Reprodução

Sob a direção dos veteranos Ricardo Curtis (Os Incríveis) e Rodrigo Perez-Castro (Festa no Céu), o filme mantém uma narrativa em três atos bem marcada, equilibrando cenas de ação, comédia e momentos de tensão acessível às crianças. A dublagem brasileira merece destaque, sobretudo com Viih Tube dando voz à protagonista Grace de forma surpreendente e Ed Gama, irreconhecível no sotaque nordestino divertido do lêmure Xavier — personagem que ainda quebra a quarta parede para comentar a própria estrutura narrativa.

Visualmente, Zoopocalipse aposta em uma animação 3D vibrante, com iluminação estilizada que privilegia tons de verde e roxo, reforçando a atmosfera noturna e carregada de fumaça. Essa paleta, aliada ao design curioso dos zumbis de jujuba, cria um contraste impactante quando a luz do dia surge, simbolizando a jornada de transformação dos personagens. Ainda que não alcance o refinamento estético da Laika Studios (Paranorman), o longa constrói uma identidade visual própria, ousada e marcante.

Diamond Films/Reprodução

Entre os pontos fortes, estão as referências à cultura pop — de Alien, o 8º Passageiro (1979) a O Enigma de Outro Mundo (1983) — e a mensagem central sobre união e confiança, trabalhada nas relações entre Grace, o solitário leão-da-montanha Dan e o amargurado macaco Felix. Por outro lado, o roteiro peca ao não aprofundar os dramas pessoais de seus protagonistas, preferindo se apoiar em convenções conhecidas do gênero.

No fim, Zoopocalipse – Uma Aventura Animal é um filme que diverte e cumpre seu papel: introduzir o horror para o público infantil sem perder a leveza. Pode não rivalizar com as obras-primas da animação mundial, mas entrega um resultado corajoso, acessível e criativo, que tanto crianças quanto adultos vão apreciar — especialmente os fãs de terror que desejam compartilhar essa paixão com os mais novos.

Critica - Zoopocalipse: Uma Aventura Animal
Bom 3
Nota Cinesia 3 de 5
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