Presença | Steven Soderbergh explora o luto em terror experimental

Danilo de Oliveira
4 Min de Leitura
3.5 Muito Bom
Critica - Presença

Não faz um mês que falei de Steven Soderbergh com Código Preto, longa que explorava o mundo da espionagem trazendo em seu elenco Michael Fassbender e Cate Blanchett.

Agora o diretor que adora se aventura por vários gêneros, explora o terror de forma um tanto inusitada com Presença, que traz uma abordagem completamente diferente, trazendo a estrutura de casa mal assombrada pela perspectiva da entidade.

Na trama, uma família se muda para uma casa nova. Uma bela e ampla residência, que representa também uma vida renovada — a família precisa disso, pois fora abalada por uma tragédia recente, a morte violenta de uma amiga da filha adolescente. Por algum tempo, tudo parece melhorar; aos poucos, porém, os velhos problemas vão reaparecendo, acompanhados de um novo: existe um fantasma na casa. Ele vai se manifestando devagar, no começo apenas para uma pessoa, que é tida como louca, e depois para os demais.

Diamond Films/Reprodução

Sob o formato POV (Point of View), Soderbergh e o roteirista David Koepp parece seguir um roteiro simples, semelhante ao de qualquer filme de horror genérico dos últimos anos. Contudo, o realizador utiliza o ponto de vista da “Presença” para explorar o drama familiar e crítica social, abordando temas como luto, abuso de drogas e a normalização da misoginia.

Ainda que haja algumas movimentações de objetos típicas do sobrenatural, o diretor parece mais focado no drama do luto que envolve a família. Esse é o primeiro aspecto que o diferencia dentro do subgênero: em vez de tratar o luto apenas como uma justificativa para os eventos sobrenaturais, ele o transforma no cerne dos conflitos dos personagens.

Apesar de trazer isso para o cerne da história, não há um estudo bem aprofundado do tema, apenas um fio condutor para a narrativa. Aqui o cineasta concentra seus esforços na forma, buscando, assim, criar, de fato, uma presença. A solução encontrada é transformar a própria câmera nessa “presença”. Desde o primeiro momento a câmera sempre foca como se estivermos no olhar da tal entidade e segue assim firme até seu final. Em nenhum momento o diretor tenta trazer uma ótica mais normal para seu filme o que torna a experiência ainda mais experimental e até claustrofóbica por assim dizer.

Diamond Films/Reprodução

Ainda que explore o terror por se passar pela perspetiva de uma presença, o longa não é em nenhum momento assustador, já que como disse, a proposta aqui é explorar o luto e o drama familiar.

O elenco apesar de bem proposto ao que está sendo trazido aqui estão todos operacionais sem grandes destaques.

Diamond Films/Reprodução

Pra finalizar, Presença entrega uma experiência diferente de terror sobre entidades em casa, por trazer um ponto de vista inovador e interessante, além de explorar o luto e o drama familiar mas que o terror. Um filme que fará mais reflexão sobre espiritismo do que sustos!

Critica - Presença
Muito Bom 3.5
Nota Cinesia 3.5 de 5
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