Não faz um mês que falei de Steven Soderbergh com Código Preto, longa que explorava o mundo da espionagem trazendo em seu elenco Michael Fassbender e Cate Blanchett.
Agora o diretor que adora se aventura por vários gêneros, explora o terror de forma um tanto inusitada com Presença, que traz uma abordagem completamente diferente, trazendo a estrutura de casa mal assombrada pela perspectiva da entidade.
Na trama, uma família se muda para uma casa nova. Uma bela e ampla residência, que representa também uma vida renovada — a família precisa disso, pois fora abalada por uma tragédia recente, a morte violenta de uma amiga da filha adolescente. Por algum tempo, tudo parece melhorar; aos poucos, porém, os velhos problemas vão reaparecendo, acompanhados de um novo: existe um fantasma na casa. Ele vai se manifestando devagar, no começo apenas para uma pessoa, que é tida como louca, e depois para os demais.

Sob o formato POV (Point of View), Soderbergh e o roteirista David Koepp parece seguir um roteiro simples, semelhante ao de qualquer filme de horror genérico dos últimos anos. Contudo, o realizador utiliza o ponto de vista da “Presença” para explorar o drama familiar e crítica social, abordando temas como luto, abuso de drogas e a normalização da misoginia.
Ainda que haja algumas movimentações de objetos típicas do sobrenatural, o diretor parece mais focado no drama do luto que envolve a família. Esse é o primeiro aspecto que o diferencia dentro do subgênero: em vez de tratar o luto apenas como uma justificativa para os eventos sobrenaturais, ele o transforma no cerne dos conflitos dos personagens.
Apesar de trazer isso para o cerne da história, não há um estudo bem aprofundado do tema, apenas um fio condutor para a narrativa. Aqui o cineasta concentra seus esforços na forma, buscando, assim, criar, de fato, uma presença. A solução encontrada é transformar a própria câmera nessa “presença”. Desde o primeiro momento a câmera sempre foca como se estivermos no olhar da tal entidade e segue assim firme até seu final. Em nenhum momento o diretor tenta trazer uma ótica mais normal para seu filme o que torna a experiência ainda mais experimental e até claustrofóbica por assim dizer.

Ainda que explore o terror por se passar pela perspetiva de uma presença, o longa não é em nenhum momento assustador, já que como disse, a proposta aqui é explorar o luto e o drama familiar.
O elenco apesar de bem proposto ao que está sendo trazido aqui estão todos operacionais sem grandes destaques.

Pra finalizar, Presença entrega uma experiência diferente de terror sobre entidades em casa, por trazer um ponto de vista inovador e interessante, além de explorar o luto e o drama familiar mas que o terror. Um filme que fará mais reflexão sobre espiritismo do que sustos!