A Netflix voltou atrás após a repercussão negativa envolvendo a exibição dos filmes da Warner Bros. Discovery nos cinemas. Depois de inicialmente indicar uma janela reduzida de apenas 17 dias, o streaming agora afirma que manterá os longas em cartaz por 45 dias, alinhando-se ao padrão adotado atualmente pelos grandes estúdios de Hollywood.
A informação foi confirmada pelo coCEO da Netflix, Ted Sarandos, em entrevista ao New York Times, e ajuda a acalmar os ânimos de exibidores, cineastas e fãs do cinema tradicional.
Netflix promete respeitar o modelo tradicional de exibição
Segundo Sarandos, a empresa entende a preocupação do público e do mercado com o futuro das salas de cinema — e garante que não pretende enfraquecê-las.
“Entendo que as pessoas estejam emocionadas porque amam o cinema e não querem que ele acabe. E acham que temos feito coisas para que ele desapareça. Não fizemos”, afirmou o executivo.
Ele reforçou que o acordo com a Warner Bros. Discovery prevê um modelo de distribuição robusto e financeiramente sustentável.
“Quando este acordo for concluído, teremos um mecanismo de distribuição cinematográfica fenomenal, capaz de gerar bilhões de dólares em receita de bilheteria, e não queremos colocá-lo em risco.”
Janela de 45 dias e foco nas bilheteiras
Sarandos foi direto ao citar o período de exclusividade nos cinemas, deixando claro que a Netflix pretende competir de igual para igual no mercado cinematográfico.
“Administraremos esse negócio praticamente da mesma forma que hoje, com janelas de exibição de 45 dias. Estou lhe dando um número concreto. Se vamos estar no ramo cinematográfico, e vamos, somos competitivos — queremos vencer. Quero vencer no fim de semana de estreia. Quero vencer nas bilheterias.”
A declaração sinaliza uma mudança importante no discurso da empresa, que por anos priorizou lançamentos simultâneos ou com janelas extremamente curtas entre cinema e streaming.
O executivo também comentou a polêmica em torno de sua fala anterior, na qual classificou o modelo tradicional de exibição como “ultrapassado”.
Segundo Sarandos, a frase foi retirada de contexto.
“Você precisa ouvir essa citação novamente. Eu disse ‘ultrapassado para alguns’.”
Ele exemplificou a diferença de acesso ao cinema em regiões distintas:
“A cidade onde Pecadores supostamente se passa não tem cinema. Para essas pessoas, certamente é algo ultrapassado. Elas não vão pegar o carro e ir até a cidade vizinha para assistir a um filme.”
Por outro lado, o executivo reconheceu a força das salas em grandes centros urbanos:
“Minha filha mora em Manhattan. Ela poderia ir a pé a seis complexos de cinema e vai ao cinema duas vezes por semana. Para ela, não é nada ultrapassado.”
A decisão da Netflix de adotar uma janela de 45 dias para os filmes da Warner indica uma tentativa clara de reaproximação com o mercado exibidor e pode representar um novo equilíbrio entre streaming e cinema tradicional.
Resta agora acompanhar como esse modelo será aplicado na prática — e se outros estúdios e plataformas seguirão o mesmo caminho nos próximos lançamentos.

