Desconhecidos | Nada é o que parece nesse thriller surpreendente

Emile Campos
4 Min de Leitura
4.5 Excelente
Crítica - Desconhecidos

Lançado em 2023 em festivais, Desconhecidos (Strange Darling no original) ganhou atenção da galera especializada em terror.

Apesar desse burburinho, o longa do estreante JT Mollner demorou para conseguir uma distribuição nacional e internacional do filme, apenas estreando ano passado em solo americano e agora chegando ao Brasil.

Na trama, o homem conhecido apenas por O Diabo encontra uma mulher (conhecida apenas por A Dama) e passa a cacar-la pelas florestas e estrada do Oregon em um jogo de gato e rato intenso.

Paris Filmes/Reprodução

É apenas isso que se pode dizer do  roteiro também escrito por Mollner que se divide em seis capítulos, em estrutura não cronológica, que confunde e instiga, mantendo a audiência sempre na dúvida sobre o que realmente está acontecendo.

A idéia arriscada, por poder trazer uma confusão na platéia é o trunfo do filme. O que uma hora pode parecer uma coisa, em um outro momento já não é mais e o diretor tendo com recurso a filmagem em 35 mm que deixa o filme ainda mais cru (lembrando quase um Massacre da Serra Elétrica de Tobe Hopper) e imprevisível e transforma uma premissa simples de gato e rato — e talvez até mesmo uma história de amor tóxica — em uma repreensão impertinente aos clichês do gênero e às nossas próprias suposições pré-programadas.

Paris Filmes/Reprodução

Sempre indo e voltando no tempo da sua narrativa, Mollner constrói esse mecanismo que repetidamente nos pede para reavaliar o que aconteceu antes. O ritmo pode ser lento, mas é estratégico e a paciência é recompensada com momentos de suspense quase insuportáveis e viradas de roteiro que fogem do óbvio. Por mais astuta que seja, a estrutura não é a única força do filme. Tanto as canções pop assombrosas e sobrenaturais de Z Berg quanto a fotografia eloquente de Giovanni Ribisi (é a primeira passagem do ator como diretor de fotografia de longa-metragem) banham a violência do filme em um sonho inesperado. Em uma cena crucial, filmada com intensidade sombria, flerte e ameaça alternam-se com tanta frequência que a dinâmica de poder oscilante é completamente desestabilizadora.

Se o visual impressiona, o elenco eleva o material a um nível ainda mais alto. Willa Fitzgerald, no papel da Dama, entrega uma performance carregada de nuances. Sua personagem não é apenas uma vítima indefesa tentando escapar, mas alguém que carrega camadas de força e vulnerabilidade. Já Kyle Gallner, que sempre teve uma presença marcante em filmes de terror, aqui se consolida como uma das figuras mais inquietantes do cinema recente. A dinâmica entre os dois cria uma espécie de dança macabra que é tanto fascinante quanto perturbadora.

Paris Filmes/Reprodução

Desconhecidos é aquele filme que quanto menos você saber dele melhor será sua experiência. É um longa que força o espectador a manter sua atenção as pistas ali fornecidas e as suas reviravoltas e sem dúvidas, questionar tudo e todos. Não é um roteiro que subestima a capacidade do seu público, mas que recompensa a aqueles que embarquem na sua proposta. Se Tarantino fizesse um terror com ele seria? Ai está a resposta!

Crítica - Desconhecidos
Excelente 4.5
Nota Cinesia 4.5 de 5
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