Dirigido por Fernando Alonso e Nelson Botter Jr., em Apanhador de Almas, quatro jovens aspirantes a bruxas – Emília (Klara Castanho), Mia (Jéssica Córes), Olivia (Duda Reis) e Isabella (Larissa Ferrara e Priscila Sol) – visitam uma casa para presenciar pela primeira vez um ritual sobrenatural feito pela bruxa veterana Rea (Ângela Dip), durante o eclipse solar. Porém, o ritual não segue como deveria e uma criatura de outra dimensão é evocada, forçando todas elas a tomarem uma terrível decisão entre a vida e a morte.
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Acho que uma das grandes belezas das produções de terror é, com a ideia e roteiros certos, você não precisa de muito para fazer um bom filme. O elenco não precisa ser grande, o número de cenários não precisa passar de um único digito e o filme pode funcionar mais do que bem – A Bruxa de Blair (1999) e Atividade Paranormal (2007) são bons exemplos disso. Mas Apanhador de Almas passou um pouco longe de ser um bom filme.

Caricato e estereotipado, é o típico filme que te deixa meio triste pelo desperdício das boas ideias e do elenco com potencial. A premissa é interessante: jovens aspirantes a bruxas vão atrás de uma bruxa de verdade para um ritual e ele dá errado, o erro leva todas elas para uma outra dimensão e sair dali exige sangue, mas tudo, absolutamente tudo, é muito caricato. Você quase consegue adivinhar as falas e escolhas seguintes.
O perfil das jovens segue estereótipos que são nossos velhos conhecidos: a patricinha blogueira, a durona que é frágil, a quieta misteriosa e a que entende mais de bruxaria que todas elas. E quando o roteiro dá um fiapo de esperança ao nos entregar vislumbres do passado delas, uma chance de dá profundidade e um motivo interessante para elas estarem ali… Esse fiapo fica no fiapo mesmo e a profundidade não passa de uma gota numa mesa – salvo a personagem Isabella, que é, de longe, a mais agraciada pelo roteiro.

Acho que o mais problemático do filme não está exatamente no excesso de estereótipo e clichê, mas sim em não saber ir além disso. Filmes que consideramos “clichê” – seja em roteiro ou construção de personagem – são lançados aos montes todos dias, tão comuns no terror e suspense, quanto na comédia e no romance, mas o ponto é como a história em torno disso vai se desenvolver. Um bom exemplo disso é o filme Morte, Morte, Morte (2022) – muita gente não gosta, mas é inegável o quanto eles souberam explorar bem todo tipo de clichê ali, e muito bem.
Em Apanhador de Almas, a “clichezada” deixa o filme moroso, um pouco chato e até confuso em alguns momentos, porque além de tudo, o longa não consegue criar momentos de tensão ou medo. As atrizes até conseguem entregar boas cenas de emoção e tensão, mas o clima geral do filme passa longe demais disso e é o que mais frustra. Filmes de terror tem suas fórmulas e não é pecado nenhum seguir todas elas, mas é preciso fazer isso com alguma pincelada a mais no roteiro para dar alguma profundidade e propósito. Clichês são bons, mas não ficam bons sozinhos.

Os filmes não possuem obrigação alguma de se tornarem um clássico da sétima arte – ainda mais quando estamos falando do gênero de terror, que é bem saturado em alguns aspectos -, mas acredito que um filme precisa ao menos segurar a nossa atenção, nos convencer daquela história e nos fazer, nem que seja minimamente, nos intrigar com seus personagens, e Apanhador de Almas muito dificilmente vai conseguir fazer isso. É realmente uma pena.


