O nosso maior déficit cinematográfico, muitas vezes, é o mergulho quase total que damos em um único estilo de fazer cinema. Continentalmente falando. Paísmente falando. Então nos deparamos com filmes no estilo de A Vilã, mais sangrento e asiático do que esperamos a princípio, e o mundo meio que se divide entre amá-lo ou apenas acha-lo ‘ok’.

Considerado um remake de Nikita (Luc Besson, 1990), A Vilã – ou Ak-Nyeo (악녀), que em uma tradução livre significa “perverso” -, é um filme sul coreano que demorou quase seis meses para chegar nos cinemas brasileiros (mas estamos no lucro, se levarmos em consideração o tempo que animações asiáticas levam para chegar aos cinemas daqui). Nele seguimos a vida conturbada de Sook-hee (Kim Ok-bin), que foi treinada durante a maior parte de sua vida para ser uma assassina, tendo algumas fases como “pessoa normal” durante esse tempo, mas que agora precisa realizar uma missão final para então, enfim, poder ser dispensada de sua função.

A trama tem sua dose de clichê. Isso, no entanto, não é uma coisa negativa se esse clichê conta uma boa história, e o diretor consegue fazer isso. Apesar de ser apenas o segundo filme que dirige (e o terceiro que roteriza), Byeong-gil Jeong já mostra seus traços e gostos pessoais, principalmente em cenas de ação em cima de veículos.

O que pode causar desagrado nesse filme é a diferença que existe entre filmes asiáticos no geral e filmes americanos. De forma mais sangrenta (já que aqui estamos falando de um filme de assassinato + vingança), filmes orientais se aproximam bem mais do estilo mexicano de contar história, com as reviravoltas e a carga dramática a toda vapor.

Mais até que o drama, as reviravoltas podem desagradar ainda mais, porque isso deixa o roteiro meio confuso. Um exemplo disso é o uso feito dos flashbacks na história, que são vários, mostrando Sook-hee em várias fases da vida, mas não tem exatamente algo que indique que a cena seguinte será do passado. Por essa razão, algumas vezes, você leva uns segundos se perguntando que personagens novos são aqueles e onde se encaixam na história.

Filmes de vingança (quase) sempre são muito legais e interessantes de se assistir. Com aquele drama ali, aquela reviravolta lá e toda aquela emoção. Em A Vilã a vingança lhe cai bem, feito uma luva feita sob medida. Pelo menos metade das cenas de ação te surpreendem e fazem você pensar “nunca tinha visto isso em um filme”. Porém, as motivações de Sook-hee parecem confusas e difíceis de captar em alguns momentos, mas a história como um todo, apesar de parecer ser infinita em alguns momentos, agrada e muito aqueles que gostam de muito drama, muita ação e uma quantidade moderadamente alta de sangue.