De uns tempos para cá um artista não parou de ser ouvido por brasileiros em festas, rádios e nas playlists pessoais por aí. Se a sua primeira sugestão é achar que estamos falando da Anitta, o motivo do engano, talvez, seja que o fenômeno Yuri Martins tenha passado despercebido por você.

Apresentado como o cara que não dá atenção ao MC Don Juan em “Oh Novinha”, o produtor musical já assinou hits como “Tá Tranquilo, Tá Favorável”, “Agora Vai Sentar”, “Vai Embrazando”, “Apaga a Luz e Toma”, “Permanecer” e “Vai Malandra”. Se o canal Kondzilla é o toque de Midas capaz de alavancar qualquer clipe de funk postado no youtube em sucesso, o baiano de Salvador criado no Rio de Janeiro é a mão que faz a mágica acontecer.

O DJ de 22 anos teve a sacada de selar a paz entre o funk proibidão carioca com a ótima estrutura de mixagem do ritmo na capital paulistana. Morando em São Paulo há 5 anos, o produtor foi um dos que descobriram uma nova forma de fabricar hits no Brasil. Se o sertanejo universitário um dia precisou daquele clima “esquente de festa” e uma onomatopeia indicando sexo para explodir e ficar nas nossas cabeças, a fórmula Yuri Martins para fazer sucesso no funk é tão simples e efetiva quanto.

O que você precisa é de uma base diferente do basicão “tchum tcha tcha tchum tchum tcha” do funk para uma letra que fale sobre algum movimento possível – porém novo – de bunda. As estrofes precisam ser curtas para se repetirem pelo menos duas vezes completamente durante a faixa. Pimba. Misture essa estrutura com algumas bordões do universo Marvel dos funks que estão fazendo sucesso no momento e você terá grandes chances de explodir.

No final de 2017, o produtor Yuri Martins produziu 4 das 10 faixas mais executadas do Brasil no Spotify. No primeiro lugar da lista, “Vai Malandra” brinca com o bumbum em uma letra que se repete duas vezes durante a faixa. “Malandra”, inclusive, é como é chamada a menina que “Agora vai Sentar”, que também consiste em um movimento de bunda. Completando a lista, as românticas “Amar, Amei” e “Permanecer” são aquelas produçõeszonas românticas que tem uma batida distante do funk tradicional, mas que não deixam de ter o toque de putaria. Vida longa ao Yuri Martins. Parece fácil, mas achar tanta coisa nova para a bunda fazer pode ser desafiador. Quem sabe o funk descubra outras partes do corpo humano no futuro.

Faixa Bônus: Se você está inspirado em escrever um funk pela fórmula, aqui vão algumas palavras que podem dar um up na sua letra e conectar a música ao universo compartilhado: Rabiola, Rabetinha, Rabetânia, Potranca, Malandra, Brincando, Embrazando, Taca-Taca-Taca, Sentar, Tiro, Toma. Só vamos tentar extinguir o novinha, tudo bem?

Menção Honrosa: O MC Fioti também merece respeito. “Bum Bum Tam Tam” usa algo muito longe do velho “tchum tcha tcha tchum tchum tcha”. O instrumental da música é uma partida de flauta de Sebastian Bach e a música foi gravada pelo celular

Leia nossa coluna Stereo