Neve. Muita neve e frio. Esse é o cenário que se passa o filme Soundtrack, estrelado por Selton Mello, Seu Jorge e o ator inglês Ralph Ineson.

A trama conta a história de Cris (Selton Mello), um jovem fotógrafo que resolve se isolar do mundo numa estação de pesquisa polar, onde pretende realizar selfies para uma exposição de arte. Sua ideia é reproduzir em imagens as sensações causadas pelas músicas de uma playlist selecionada para a experiência. Lá ele irá se surpreender com visões completamente diferentes do mundo, na companhia de quatro cientistas que se dedicam a grande projetos ambientais: Cao (Seu Jorge), botânico brasileiro que investiga a flora em situações extremas; o britânico Mark (Ineson), especializado em aquecimento global. O biólogo chinês Huang (Thomas Chaanhing) e o pesquisador dinamarquês Rafnar (Lukas Loughran).

A reação dos cientistas sobre o projeto de Cris é de repulsão, além de considerarem o rapaz é imprudente. Afinal de contas, quem iria se isolar numa estação polar para tirar selfies? Porém quando questionado sobre isso, Cris responde: “Isso não é sobre mim, é sobre a Arte”. E nesse ponto que o filme começa a abordar a maneira de como a Arte é tratada pela ciência como algo “insignificante” ou “desnecessário”.Seu colega de quarto Mark, interpretado por Ralph Ineson, cujo a esposa está grávida de seis meses, se revolta com a escolha do rapaz. É Natal e eles estão no meio do nada. Porque ele, que tem a chance de estar com a família ou qualquer outro lugar, resolve estar ali no meio do nada? Em um dos diálogos entre os personagens, Cris questiona porque Mark realiza um projeto sobre aquecimento global que tem como duração 90 anos se não irá receber qualquer crédito por isso.

“Somente porque ninguém viu as suas fotos, não quer dizer que elas não são boas”.

E é nesse momento que o personagem principal começa a se questionar sobre o seu trabalho e a si mesmo. Seu trabalho está relacionado a Arte e nas sensações que ela transmite, mas os de seus companheiros está ligado a ações que terão um grande impacto nas próximas gerações. As opiniões do grupo passam a ser alteradas quando Cris se perde em uma de suas sessões de fotos. Mark e Rafnar conseguem resgatar o jovem e enquanto o mesmo é tratado pelo dinamarquês, os demais do grupo começam a discutir entre si sobre a segurança do rapaz e percebem que estavam sendo reativos ao mesmo. Após esse acontecimento, o grupo começa a alterar a visão sobre o rapaz e consequentemente perceber que o projeto de Cris pode ter um significado e não se trata apenas de uma ideia de um jovem louco.


A proposta sobre as sensações causadas pela música acaba sendo utilizada no filme através de um casamento perfeito entre as cenas e a trilha sonora. Todas a músicas foram muito bem escolhidas para cada cena e despertam no telespectador uma sensação única. Mas enquanto você congela junto a Cris em seus pensamentos e filosofias, a dupla de diretores 300ml busca explorar a viagem do protagonista em sua busca interior que o faz encarar seus demônios, tristezas e rancores, o que torna a carga emocional do filme muito grande. Porém, você só percebe que o projeto das fotos acaba mudando o seu foco quando no final você percebe que Cris está perdido e tentando se encontrar. E é nesse ponto que o filme acaba causando uma sensação de que faltou algo.O que se torna decepcionante e triste, pois de um lado temos um filme de quase duas horas que não soube ter um enredo para tratar essa questão logo no começo e de outro a tristeza pelo o fim do protagonista. Em alguns momentos o filme se torna cansativo e em outros onde parece que a história vai se desenrolar, mas não desenrola. A mensagem que Soundtrack procura transmitir acaba se perdendo num enredo que tenta encontrar um ritmo, mas que só se encontra no final. E com isso se perde numa tentativa de entregar um filme artístico com final poético que não atinge o grande público.

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