Se esperava ver a Lady Gaga esse mês, você verá através da Netflix. O documentário “Gaga: Five Foot Two” é o que os fãs precisavam após o cancelamento do show do Rock in Rio e da turnê européia que seria logo em seguida. Aqui veremos toda a rotina de Gaga desde a produção de seu último álbum “Joanne” (que foi inspirado em sua tia já falecida) até os momentos em família e os problemas físicos e emocionais da cantora que poucas vezes teve a oportunidade de revelá-los ao público. Dirigido por Chris Moukarbel, preparem os lencinhos, little monsters.

A princípio muitos se perguntam a razão desse título para um documentário, coisa que nem ele mesmo irá explicar. Trata-se de uma referência a um jazz de 1940 do maestro Guy Lombardo, decendente de italianos assim como a Gaga. Sendo de grande importância a família em seus momentos de alegria e de dor, veremos a também atriz participando da rotina familiar dos Germanotta enquanto intercala sua atarefada vida de celebridade e suas dores pessoais, incluindo a fibromialgia (que não é mencionada por ter sido diagnosticada recentemente). Para quem não é fã, fica a sensação de que Gaga está sendo dramática demais.

Também será aproveitado o momento para falar do fim do noivado com o ator Taylor Kinney, as polêmicas envolvendo Madonna, a posição política de Gaga e a produção do álbum “Joanne” com o produtor Mark Ronson. A intenção de despir a cantora é clara, e não será difícil pois ela estará nua de todas as formas possíveis! Ao assistir nos sentiremos nos bastidores não só do show, mas de sua vida também. Com direito a momentos na série “American Horror Story: Roanoke”, entenderemos o estresse envolvido, ainda mais quando são promovidas a carreira musical e de atriz ao mesmo tempo praticamente.

Sendo mais pessoal do que o esperado, ainda reúne performances e lembranças marcantes da artista na mídia, o que não são poucas. Entenderemos o perfeccionismo que está presente na personalidade da cantora e atriz, havendo muitos momentos de estresse a respeito das mudanças que ocorrem sem seu acompanhamento. Afinal, ela faz questão de participar de todo o processo de criação dos seus materiais, desde música até figurino e maquiagem. Entre as novidades, a Mother Monster mencionará seu papel no futuro remake do filme “Nasce uma Estrela” enquanto mostrará seu empenho nas vendas de seus álbuns.

Imagem de divulgação do documentário “Gaga: Five Foot Two”

Determinação é o que define Gaga. Isso é o que incomoda e que também cria admiradores por todo mundo, incluindo os famosos que participam em trechos, como Florence Welch e Donatella Versace. Sua conclusão é pertinente ao momento atual que Gaga se encontra, sendo mais um motivo para respeitarmos a pessoa e a artista que ela é. Com as próprias palavras dela: “Quero ser uma roqueira velha.” Aproveitando esse documentário, Lady Gaga dedicou a Sonja Durham (amiga e ex-produtora executiva da Haus of Gaga) que faleceu em decorrência de um câncer em estágio avançado.

Esse documentário é essencial para qualquer fã, mas talvez não chegue a ser interessante para outros espectadores. Além disso o maior problema foi apontar várias etapas e criar um documentário sem trabalhar cada uma delas em partes. O disco “Joanne” foi lançado em outubro de 2016, onde a maioria das gravações são quase um ano de material dos bastidores desse CD. Como curiosidade, o estúdio onde ocorreu as gravações das músicas é o mesmo que Beyoncé, Lana Del Rey e Taylor Swift gravaram. Prova disso são os certificados de disco de platina e ouro nas paredes do conceituado Electric Lady Studios. O diretor Chris Moukarbel fez desse o registro mais importante desde a “Monster Ball tour” pela HBO.

Mais um Otaku soteropolitano que faz cosplay no verão. Gamer nostálgico que respira música e que se sente parte do elenco das suas séries favoritas. Aprecia tanto a 7ª arte que faz questão de assistir um filme ruim até o fim. É um desenhista esforçado e um escritor frustrado por ser um leitor tão desnaturado. É graduando no curso de Direito e formado no de Computação Gráfica. “That’s all folks!"