É com grande alegria e nostalgia que inicio meu primeiro review quadrinístico para o Cinesia Geek, uma vez que sou apaixonado pela “nona arte” que atualmente nos envolve em todos as mídias visuais contemporâneas, e não poderia começar de outro modo do que com um ícone dos quadrinhos, o considerado pai dos super heróis: O Superman.

E a escolha da edição não foi nenhuma retrospectiva cativa de grandes clássicos do azulão, mas sim, a sua reformulação que a DC propôs no final de 2011 nos EUA mais conhecida aqui no Brasil como:  Os Novos 52.

Essa reformulação foi uma forma de atrair novos leitores (claro!), e contar uma nova visão do personagem em formato de reboot, e ninguém menos que o famoso escritor Grant Morisson, autor dos Invisíveis, Homem animal e muitos outros, para começar essa nova versão do Super, e o álbum começa com uma impiedosa caçada pelo alienígena que vem dando o que falar em Metrópolis e no mundo. Um ser mais poderoso do que uma locomotiva e capaz de saltar arranha-céus com um único impulso. Um homem com habilidades muito além do normal… um Superman!

Morisson retrata um Superman joven, sarcástico e indeciso sobre as suas ações em alguns momentos, mesmo sabendo de todas as ameaças que o perseguem e aparecem constantemente em cada edição, existe uma certa desconfiança para com o mundo e as pessoas e suas motivações em aceitar e aclamar um ser estranho que apareceu do nada para salvar as suas vidas, tanto que em muitos momentos ele é visto mais como ameaça do que salvador da pátria.

Os personagens secundários, Lois Lane, Jimmy Olsen e até o lex Luthor são trabalhados com uma visão de apresentação com o alter ego do Superman: O desengonçado Clark Kent. A trama é extensa e se desdobra passo a passo acrescentando mais a mais ameaças enquanto uma teia interna mais perigosa de desdobra sob a investigação do Clark Kent. Vilões clássicos e novos são inserido fazendo em cada momento com que o Superman exerça sua definição de poder e heroísmo que o motiva desde seu nascimento até a sua chegada a cidade do amanhã Metrópolis.

Existe um breve interlúdio na saga que reconta a famosa história do Kal – El bebê e seus pais, Lara e Jor El, mostrando uma visão detalhada da vida e o modo de pensar dos Kryptonianos.

São os primeiros momentos da trajetória dessa nova encarnação do Homem de Aço, perseguido por cientistas insanos, empresários corruptos, caçadores infalíveis, seres extradimensionais e até mesmo um exército anti-Superman. Mas todos eles estão prestes a aprender que nesta ou em qualquer Terra – disfarçado como Clark Kent, Johnny Clark, Calvin Ellis ou qualquer outra identidade secreta – esse poderoso herói é mais que um homem.

Existe um destaque que eu necessito expressar nesse álbum que vai para o escritor secundário Sholly Fisch, ele produz pequenas histórias inseridas nas edições do super, mas ele me ganhou muito como roteirista uma vez que suas histórias são tão bem retratadas de modo sensível, intimista e bem exploradas de todos os personagens secundários muitas vezes sendo melhores que a história principal, eu confesso que li muito mais animado essas pequenas histórias do que a trama principal, ver Martha e Jonathan Kent se casando, uma história inspiradora sem balões sobre o coragem e heroísmo que existe em cada pessoa, foram um dos momentos mais legais e interessantes da edição.

Vale muito a pena ler esse encadernado se você quer conhecer um Superman em seus primórdios heroicos e conhecer toda sua mitologia detalhada sob duas visões inspiradoras e criativas muito bem escolhidas para dar esse ponta pé inicial à frente dessa nova fase do Super.

Superman – À prova de balas (formato 17 x 26 cm, 680 páginas, capa dura, custando R$ 158,00, mas hoje em diversos sites de livrarias você encontra por menos da metade do preço) traz todas as histórias produzidas por Morrison e Fisch para o Homem de Aço, e inclui Action Comics # 0 a # 18, além de Action Comics Annual # 1. Essas aventuras foram ilustradas por artistas como Rags Morales, Andy Kubert, Cully Hamner, Gene Ha, Ben Oliver, Ryan Sook e outros.