Esse é primeiro livro de Sara Pennypacker que chega no Brasil pela Intrínseca. Numa edição impecável de capa dura teremos uma história de amizade e de contatos que podem mudar nossa forma de ver o mundo. Também está recheado de ilustrações de Jon Klassen e ficará mais fácil de se sentir dentro da aventura do jovem Peter e sua raposa Pax.

Com a chegada da guerra, Peter se vê morando com seu avô e tendo que abrir mão da sua raposa Pax, um momento nada fácil para os dois que descobrirão mais sobre eles mesmos e do afeto que nutre essa união. A autora consegue criar um laço que nos envolve com os poucos personagens que conheceremos nessa breve narrativa, fazendo com que eles compartilhem suas aflições e outros sentimentos em um desabafo.

Com uma extrema nostalgia, nos vemos relembrando de nossas “guerras” que nos fizeram abrir mão do que desejamos, perdendo toda a “paz” (significado de Pax). A lição proposta por esse livro é de grande valor para lembrarmos o que queremos, e que para isso, devemos desafiar tudo e todos que acham que estão fazendo o certo. Existe realidade em cada palavra que Pennypacker cedeu para Peter e Pax, e graças a isso podemos dar palavras a emoções. A autora também teve que fazer um estudo sobre as raposas e nessa história vemos o quanto ela sabe.

A narrativa reveza entre o inocente mascote e a criança de 12 anos, sendo normal ter sua favorita, já que são opostas. Tendo um enredo simples e bem equilibrado, não seria uma história apenas para crianças, mas sim para todos que se interessarem em desfrutar dessa fábula. O aparecimento de outros personagens nos faz desejar entender seus problemas também, entretanto, o livro é bastante direto e não tenta vender algo complexo.

Temas como liberdade, perdas e problemas familiares serão algo a se pensar, já que muito se perdeu nas relações interpessoais. É claro que o destino dos nossos personagens é bastante imprevisível e escorregadio, mas é uma jornada importante para cada um. Ainda assim vemos uma criança agindo como uma criança e um animal podendo agir como um animal, seguindo seus instintos e amadurecendo como a vida exige.

Mais um Otaku soteropolitano que faz cosplay no verão. Gamer nostálgico que respira música e que se sente parte do elenco das suas séries favoritas. Aprecia tanto a 7ª arte que faz questão de assistir um filme ruim até o fim. É um desenhista esforçado e um escritor frustrado por ser um leitor tão desnaturado. É graduando no curso de Direito e formado no de Computação Gráfica. “That’s all folks!"