Em um mundo distópico tão tão distante, uma garota de 16 anos entra no lugar de sua irmã em um jogo de vida ou morte, desafia um tirano, volta a participar do jogo, se junta aos rebeldes e enfim, derruba o sistema opressor. Mas o que isso tem ver com Endgame – O Chamado?  Pois meus caros, essa é a mesma pergunta que me fiz quando anunciaram o livro dos autores James Frey e Nils Johnson-Shelton, e começaram a comparar com o livro da garota em chamas.

Julgado como o “novo Jogos Vorazes juvenil”, Endgame possui seu próprio universo. Os autores sabiamente pegam os tão conhecidos clichês sobre a origem da humanidade e nos apresenta um livro alucinante e delicioso de se ler. Afirmo que eles melhoram os clichês e nos traz jogadores inteligentes e com garra de vencer o jogo.

Como a própria capa do livro estampa, Endgame é além do nome do livro, o jogo que 12 jovens, de 12 distintas linhagens precisam jogar, e um somente um sobreviverá. “Ahhh, aí o novo Jogos Vorazes”.  Sim, existe essa relação de participantes, e uma semelhança com o número de jogadores, e o fato de somente um pode vencer, mas para por aí mesmo. Enquanto o livro que retratava uma sociedade dividida em distritos, capital, e com temas sociais, Endgame nos traz questões mais ficcionais, como destino da humanidade, criação humana, acreditar em Deus, vida extraterrestre etc. É um livro que não te faz pensar em temas de nossa sociedade, e sim um livro de aventura. O que é muito bom!

Existe uma grande expectativa de quem viverá ao final do primeiro livro, e isso é muito bem elaborado. São criadas situações que te coloca a favor e contra os participantes do Endgame, e é realmente empolgante. Sem falar que durante todo o livro existem pistas sobre a chave da terra, que é a primeira das três que os participantes devem procurar. Durante a leitura o leitor pode achar mais pistas acessando códigos deixados no livro que os leva a sites, existindo uma interação que ultrapassa a simples leitura.

É valido salientar, que quando você possui vários personagens envolvidos, os autores tendem a dar destaque para alguns e menos para outros. Isso acontece na história, mas de uma forma que não prejudica o entendimento do leitor. A narração em terceira pessoa é um trunfo, pois permite uma descrição de acontecimentos bem ampla de todas as cenas, principalmente as de ação.

O livro tem por volta de quinhentas páginas, e particularmente penso que algumas coisas poderiam ser cortadas, mas de um todo considero tudo importante para a história.A minha única insatisfação é pelo destino dado a um certo personagem, considerei muito injusto o que lhe aconteceu. Obs: Não posso dizer mais nada.

No mais, Endgame – O Chamado consegue driblar as comparações infundadas com o romance da Suzanne Collins e criar seu próprio universo sagaz e empolgante que vai conquistar o coração de muitos leitores.