A franquia “Pokémon“, graças ao anime, teve seus dias de glória nos anos 2000. Ainda que tivesse uma história próxima, Ash não era o protagonista dos jogos “Pokémon Red” e “Pokémon Blue“, o que fez muitos gamers desejarem mais do protagonista Red, personagem muito mais destemido e pertencente aos games. Tanto carinho gerou o “Pokémon Origins“, em 4 episódios resumiu a 1ª geração. Só que antes do anime ir ao ar, era lançado o mangá em 1997, narrando de forma bastante particular, as aventuras de Red e seu rival Blue. Lançado só em 2016 no Brasil, após a boa repercussão do mangá “Pokémon Black & White“, vamos ter em 3 volumes uma ideia do que o roteirista Hidemori Kusaka conseguiu fazer para representar o game, e ao mesmo tempo, dar uma degustação do que vimos no anime. Só que antes de começar, vamos agradecer a Panini Comics pela iniciativa desse lançamento.

As diferenças do roteiro do game são significativas, já que desde o início se percebe com facilidade. Uma delas é nosso protagonista começar com um Poliwag que tinha antes dos 10 anos de idade. Sem problemas! Um dos dilemas que o leitor dessa edição deve ter consigo é simples: Aceita que dói menos. Sendo esse o menor dos conflitos com o jogo, pois tem situações muito maiores e algumas que podemos até gostar e dizer: porque não colocaram isso no anime / jogo. Para curiosidade dos fãs mais antigos, a falecida Conrad Editora fez em 4 edições, a “Pokémon Quadrinhos” nos anos 2000, e esse foi menos aceito por ter a leitura no formato ocidental (um gibi praticamente) e o conteúdo não tinha uma conclusão de fato. Entre um e outro, muito melhor optar por essa novidade da Panini, que aproveitou o aniversário de 20 anos da franquia ( comemorando a data de lançamento do primeiro jogo).

Uma das modificações que deram uma apimentada no conteúdo dessa obra foram os vilões, já que alguns dos líderes de ginásio serão parte da famosa organização criminosa “Equipe Rocket”. Ainda sobre os líderes, eles terão insígnias que possuem poderes especiais para aumentar a força de seus Pokémons, e unidas elas possuem ainda mais poder. Só que espera, são só 7? A oitava e última insígnia de Veridiana – do líder de ginásio Giovanni  é a insígnia excluída, pois o também líder da Equipe Rocket mantinha seu ginásio fechado enquanto planejava dar continuidade ao seus gananciosos objetivos. Fora do roteiro modificado, até mesmo os Pokémons sofreram algumas alterações que deram um ar sci-fi para a trama, como o Eevee, Pokémon que possui nessa geração apenas 3 evoluções. Até os pássaros lendários entraram no alvo do mangaká e vão assustar quem esperava algo como nos jogos de Pokémon, mas sem dúvida, a inovação com os ataques de Mewtwo fará qualquer um cair pra trás.

Com as ótimas ilustrações do japonês MATO, teremos um mangá simples o bastante para nos lembrarmos dos anos 90. Nostalgia é importante, tanto que a maioria dos mangás que saem no Brasil atualmente são relançamentos ou lançamentos de obras com mais de 10 anos de lançados no seu país de origem. Para quem busca uma rivalidade extra, temos a personagem Green, garota que muito vai infernizar a vida de Red e de outros que passarem por seu caminho, mas tudo isso para no fim dar caminho a uma lição importante que o mestre Professor Carvalho irá garantir. No geral, fica claro que o público-alvo é o mais jovem possível, só que muitos adultos poderão rir e se divertir como se fosse algo novo em suas vidas. Como dito anteriormente, é essencial se livrar de preconceitos de ler algo fora do cronograma proposto pelo game, afinal, nunca seria possível inserir 50 horas de jogo em apenas 3 volumes.

Por fim, essa adaptação terá outro arco, um independente. A continuação intitulada “Pokémon Yellow“, fazendo referência ao relançamento do jogo em 1999, onde Pikachu é o Pokémon incial. Em 2 volumes, a ideia será dar sequência as aventuras de Red e o novo personagem, Yellow, criança que terá grande importância nas próximas etapas da jornada Pokémon nos mangás. Já está confirmado seu lançamento pela Editora Panini, vamos aguardar e morrer de curiosidade. Fazer o quê?! Nós amamos Pokémon.

Mais um Otaku soteropolitano que faz cosplay no verão. Gamer nostálgico que respira música e que se sente parte do elenco das suas séries favoritas. Aprecia tanto a 7ª arte que faz questão de assistir um filme ruim até o fim. É um desenhista esforçado e um escritor frustrado por ser um leitor tão desnaturado. É graduando no curso de Direito e formado no de Computação Gráfica. “That’s all folks!"