Alguns autores tem o poder de fazer seus leitores se apaixonarem perdidamente pelos seus livros. Ao lado de Stephanie Perkins (do trio Anna, Lola e Isla), David Levithan (todos aqueles garotos se beijando) e John Green (vocês conhecem seus livros), Becky Albertalli se tornou, para mim, esse tipo de autora que eu leria qualquer coisa em apaixonado desespero. Até mesmo sua lista de compras.

Quando eu digo “em apaixonado desespero”, estou querendo dizer que, quando terminei de ler Simon vs. A Agenda Homo Sapiens – e as cinco ou dez outras vezes que reli -, eu o abracei como se fosse a coisa mais preciosa que eu já coloquei os olhos. Literalmente o abracei. E com Molly não foi diferente.

Vocês podem conferir a resenha de Simon feita pelo Cinesia aqui: Resenha – Simon vs. A Agenda Homo Sapiens

Albertalli além de escritora é psicóloga, trabalhou com adolescentes incríveis e foi orientadora de um grupo de apoio para crianças com não conformidade de gênero durante sete anos de sua vida. Logo, assim como em Simon, Molly fala sobre relacionamentos homoafetivos, porém a autora foi um pouco além.

Essa é uma história que fala sobre o tempo. O timing de cada pessoa. Como você deve deixar que as coisas aconteçam em seu tempo, tentando não se apressar em função do timing dos outros. Molly muitas vezes acaba isolada no meio da irmã e dos amigos por esse motivo. Por eles estarem falando e fazendo coisas que ela ainda não experimentou, a garota de 17 anos se sente excluída. Até que, em seu tempo, as coisas acontecem para ela.

Imagem: Paladini Fotografia

O livro tem certo foco em relacionamentos homoafetivos, dessa vez voltados para o relacionamento lésbico. Além da irmã de Molly, Cassie, namorar Mina, as irmãs são filhas de duas mulheres: Nadine e Patty. Apesar de alguns conflitos e cenas hilárias girando em torno do tema, Abertalli puxou sua nova história para outra coisa: a gordofobia.

Molly não tem exatamente um problema com seu peso e sim um problema com o que as pessoas acham dela por causa do seu corpo. O que faz com que ela seja sempre cautelosa em muitas situações, principalmente nas questões do amor. Essa é a razão por ela estar no seu 27º crush, sem nunca ter dado um beijo, nem levado ou dado um fora. Nenhum de seus crushes sabe que foi crush dela – um deles, inclusive, é um menino trans -, mas isso está prestes a mudar.

Quando Cassie começa a namorar Mina, Molly percebe que sua irmã está cada vez mais distante e, para remediar isso, ela sente que precisa ser menos cautelosa. Precisa dar um fora. Levar um fora. Beijar umas bocas. Qualquer coisa que faça com que ela e Cassie não se tornem o tipo de irmãs que só conversam nos feriados em família. E qual seria a melhor solução para evitar esse futuro triste se não começar a namorar o melhor amigo da nova namorada da irmã? É um bom plano, e o amigo hipster de Mina parece interessado. Porém Reid e seus tênis brancos surgem na vida de nossa protagonista, e Molly precisa escolher qual o real 27º crush de sua vida…

A história é divertida, e a coisa mais fácil do mundo é se identificar com a jovem Molly Peskin-Suso. Não apenas com seus dilemas e problemas, mas também com seu humor, divagações e vicio em Pinterest. É o tipo de livro que ensina muito apenas por contar uma história que, apesar de ficcional, aborda dilemas facilmente encontrados na vida real.

Em entrevista para editora Intrínseca, a autora diz ter adorado a capa da versão brasileira, já que pela primeira vez ela viu uma garota parecida com ela na capa de um livro. Também contou que fãs de todo mundo, mesmo sem saber falar ou ler em português, estão comprando a edição brasileira por se sentirem representados.

Becky Albertalli já me tinha como fã em Simon – que sim, aparece via Skype nesse livro ao lado da Abby, que é prima de Molly e Cassie –, mas com Molly me conquistou de vez. Seu próximo livro chega em 2018 e irá contar a história de Leah Burke, personagem que aparece no livro de Simon.