A trama em O melhor professor da minha vida já é nossa velha conhecida: o rígido professor de uma escola renomada, François Foucault (Denis Podalydès) ingressa no corpo docente de uma escola da periferia onde os alunos querem tudo, menos estudar.

O mais cativante nessa história é que, ao mesmo tempo que ela se aproxima de vários outros filmes com a dinâmica aluno e professor, o seu roteiro sensível dá ares próprios ao longa, que fazem com que ele pontue suas diferenças se comparado a outros filmes sobre o mesmo tema.

Durante uma noite de autógrafos de seu pai escritor, François conhece uma funcionária do ministério da educação e acaba sendo convidado a dar aulas em um colégio da periferia para contribuir com sua experiência docente. É praticamente sem querer que ele acaba aceitando o convite e é aí que você percebe que, apesar do tema clichê, aquele filme terá sua diferença.

O protagonista não busca uma revolução estudantil ou uma melhora radical na forma como seus alunos levam os estudos. Ele não queria estar ali, porém está, então é bem “vamo que vamo”. Nada na história é muito radical ou excessivamente dramático ou precisamente perfeito e ético. François consegue mudar seus alunos, mas a principal mudança acaba sendo dele mesmo. A frase “Não existem alunos ruins, mas sim professores que não sabem ensinar” é usada no filme, e é a que mais bem descreve a sua mudança durante a história.

O melhor professor da minha vida tem um ar despretensioso, mas bem no estilo francês de fazer filmes, é algo bonito de se ver. Sem exageros ou balas perdidas, ele conta uma história crível que nos faz até (imagine!) tentar, pelo menos um pouco, ser essa pessoa que, aparentemente com tão pouco – que na verdade é muito -, pode mudar a vida de alguém.