Candice Pascoal é baiana e fundadora da Kickante, site de financiamento coletivo criado em 2013. Presença no palco Feel The Future na CPBA, a empreendedora deu uma palestra cheia de sinceridade.  Nela, abordou as dificuldades que alguém com um sonho pode passar – e como superar elas e conseguir empreender. Mesmo depois de sua palestra, Candice ainda conversou e deu muitos conselhos a jovens empreendedores que surgiram da plateia. Foi neste momento que a CEO da Kickante conversou com o Cinesia Geek. A CEO falou sobre a importância de um evento como a Campus Party na Bahia e sobre o empreendedorismo geek.

 

Qual a importância de um evento como a CPBA para conectar empreendedores e jovens?

É grande demais. Nós não temos um evento assim aqui na Bahia, e é necessário porque temos muita gente com ideias. Um evento como esse reúne todos que querem fazer algo, e aí um conversa e se conecta com o outro. Acho que em uma segunda ou terceira edição, as pessoas vão se conectar muito mais. Mais que isso, são as referências que estão aqui. Eu  vim para essa palestra porque é aqui na Bahia – é minha terra, como eu posso não vir falar?

Você acompanha o cenário empreendedor na Bahia?

Sim, por causa da Kickante. Vejo com muito entusiasmo o que tem acontecido aqui. Sou muito fã, por exemplo, da Monique [Evelle], do Desabafo Social [que também palestrou no palco Feel The Future, abordando a mulher no mercado de trabalho]. Há muita coisa por aqui, mas ainda está no ínicio. A maioria das coisas ainda acontece lá em baixo [no Sul e Sudeste do país]. Eu gostaria de ver na próxima CPBA, por exemplo, investidores do Rio e de São Paulo vindo até aqui e vendo o que acontece. É assim que democratizamos as coisas.

O financiamento coletivo tem o poder de democratizar a economia? E incluir pessoas que normalmente não seriam empreendedoras?

Com certeza. As pessoas chegam até nós [a Kickante], na maioria das vezes, sem dinheiro. Dizem “vou desistir, ninguém aposta em mim, estou no fundo do poço”. E nós damos uma oportunidade, uma chance – não só de recursos financeiros, mas também de visibilidade, com o marketing digital. O Shark Tank [Brasil, reality show da Sony Brasil], por exemplo, já entrou em contato conosco, pedindo indicação de empreendedores. Vários canais de TV nos perguntam: “quem está fazendo algo de diferente?”. Vai além do dinheiro.

Você tem um lado nerd?

Sim. Meu lado nerd é aquele que lê muito. Leio sobre tudo, de cinco a seis livros por mês, de qualquer tema que me interesse. Já meu marido é completamente nerd, um super nerd. E tenho dois filhos adolescentes também, então isso é parte da minha vida. Mas, para mim, o nerd é uma pessoa que estuda muito, que busca as coisas.

É por essa paixão do nerd que estamos observando o empreendedorismo geek crescer?

Sim! O nerd possui uma comunidade. E essa comunidade são as cinco pessoas mais próximas [fala de Candice em sua palestra, na qual ela afirma que as cinco pessoas mais próximas de uma pessoa representam a sua ‘média’. Logo, associar-se com pessoas boas te torna melhor, por exemplo]. Isso impulsiona ele. Por isso a importância de um evento como esse, que ajuda a incentivar a comunidade nerd a empreender.