A Fox film do Brasil está investindo em próximos sucessos como “Rio“(2011). Com isso decidiu dar mais uma chance aos animais: adoráveis, mas tão recorrentes em animações. Sabendo disso, o diferencial precisa existir em “Lino – O Filme“, também conhecido como “Lino – Uma Aventura de Sete Vidas“, mostrando que é possível sim fazer uma animação brasileira de qualidade. O lançamento é uma animação do mesmo diretor de “O Grilo Feliz e os Insetos Gigantes“(2009), Rafael Ribas. É chegada a hora de investirmos mais no público infantil, mas será que o gato Lino é capaz de fortalecer nossa tentativa?

Antes de tudo, Lino (Selton Mello) não é um gato, e sim um rapaz bastante azarado. Desde muito cedo ele sofria todos os tipos de desilusões, mas nem quando cresceu a situação mudou. Após seis anos alegrando festas infantis (ou melhor dizendo apanhando das crianças em uma fantasia velha de gato) e sendo motivo de piadas entre outros adultos, inclusive seu ex-colega valentão Victor que decide se aproximar sem motivos. O que fazer? Recorrer a magia. Após uma visita ao Don Leon, feiticeiro local que ajuda nosso herói da forma mais inusitada. Transformando Lino num gato com altura de homem.

A ideia da obra pode agradar ao público infantil tranquilamente, mas não conseguirá tirar um riso sequer dos adultos. Seu maior problema foi a construção de personagens típicos em situações pouco originais, e poderiam ser divididos em dois grupos: os desajeitados com breves lampejos de inteligência e os pessimistas que só sabem reclamar e esperar a situação piorar. Nosso protagonista é um pessimista, mas de uma forma que compromete o início do filme, pois o que era pra ser engraçado nos deixa incomodados. O mesmo da policial Janine (Dira Paes), que tem a dificuldade de exercer sua profissão ao lado de dois colegas atrapalhados, Osmar e Mellos.

Todos se encontram de uma forma previsível, embora comece a pegar um ritmo melhor depois que Lino começa a buscar uma solução para seus problemas, que se tornam maiores quando pensam que ele sequestra crianças. Se é possível encontrar uma personagem engraçada, essa é a Patty (Paola Oliveira), a grande surpresa para quem pensava que ela se tornaria algo de apenas um instante. A dublagem conseguiu aprovação, mas a animação foi um tanto pausada demais em momentos que seria necessário uma coisa mais enérgica, dando um tom amador para a produção. Cheio de referências como “O Grilo Feliz“, “Harry Potter“, “Homem-Aranha” e até mesmo “He-man“.

Sua conclusão é melhor, pois garante um belo desfecho e cria uma ótima lição para o público infantil. Aguardem que haverá uma cena logo após os créditos com ilustrações que revelam mais da história após o filme. A música “Mais Uma Vez” de Renato Russo será executada na voz de crianças e fará da trilha sonora uma coisa fofa para se adequar ao filme. Esperamos que tentativas como essa venham para acrescentar experiência do jovem diretor.

Mais um Otaku soteropolitano que faz cosplay no verão. Gamer nostálgico que respira música e que se sente parte do elenco das suas séries favoritas. Aprecia tanto a 7ª arte que faz questão de assistir um filme ruim até o fim. É um desenhista esforçado e um escritor frustrado por ser um leitor tão desnaturado. É graduando no curso de Direito e formado no de Computação Gráfica. “That’s all folks!"