2017 certamente ficará marcado como o ano de Stephen King.O mestre do Terror além de comemorar 70 anos, vem vendo suas obras sendo adaptada de tudo quanto é forma nas telas. Esse ano tivemos a série(já cancelada)baseada em O Nevoeiro, a serie de Mr. Mercedes, que apesar dos elogios iniciais, não vem atraindo o público, a adaptação para as telonas de A Torre Negra, que não se saiu tão bem nas críticas e bilheteria e recentemente o fenomenal remake de It A Coisa(que até o momento passar dos $$500 milhões nas bilheterias mundias , agora a Netflix traz Jogo Perigoso, filme original do streaming baseado no romance publicado em 1992.

Jogo Perigoso parte de uma premissa enganosamente simples, como é característica das criações da mente bem louca de King. Um casal vai passar um fim de semana em uma cabana remota para apimentar sua vida sexual e tudo acaba dando errado. Muito errado. O “jogo perigoso” do título em português, ou o “jogo de Gerald” do título original é simples e teoricamente inofensivo: algemar Jessie na cama e viver uma fantasia tipicamente masculina, de dominação e poder.

O óbvio acontece: Gerald, depois de preparar-se com a azuzinha, tem um ataque cardíaco, deixando sua esposa presa ao “leito de amor” enquanto ele é literalmente devorado por um cachorro que eles haviam encontrado mais cedo, a caminho da casa. De certa forma, parece algo que já vimos antes, até mesmo Cujo (inclusive citado no roteiro), e é até possível que você até aqui ache que contei demais sobre o filme, mas é aí que leva uma rasteira, sendo imediatamente tragado para uma história diferente, de cunho psicológico, com direito a flashbacks, alucinações (ou não) e uma boa construção de suspense em um ambiente controlado e cada vez mais claustrofóbico.

Carla Gugino e Bruce Greenwood criam  uma química certeira que aproxima e corteja o espectador em um processo bem construído pelo roteiro co-escrito por Mike Flanagan(especialista em filmes do gênero que também assina a direção) e Jeff Howard que evita a estrutura básica de apresentação dos personagens, estabelecendo problema e resolução. Afinal, para manter a atenção durante mais de 100 minutos, um filme que praticamente só tem dois atores e que se passa quase que exclusivamente em apenas um cômodo de uma casa, precisa de constante renovação e a forma como a narrativa se desenrola, já jogando os protagonistas diretamente no problema central e, somente a partir daí, descortinando as minúcias, cumpre exatamente essa função, jamais deixando a rotina estabelecer-se.

Na medida em que a trama avança e que vamos aos poucos aprendendo sobre a exata natureza do relacionamento de Jessie e Gerald, novos horizontes são abertos, mas sempre ecoando a situação principal representada pelas algemas prendendo Jessie. Flanagan é bem criativo e mesmo com algumas repetições seu roteiro é agil a cortornar elas e prender a atenção do espectador tempo suficiente.

E, em como toda obra de Stephen King, há um momento perturbador e o ato final do filme é um dos mais insanos desse ano com uma sequência gore para deixar o estômago embrulhado.

Jogo Perigoso é um dos melhores filmes originais do serviço e umas das melhores adaptações de King para as telas.Mike Flanagan cria um verdadeiro jogo de tensão, culminando em um dos melhores filmes de terror  desse ano.