E.R. (ou como se tornou mais conhecida por aqui: Plantão Médico) era referência em seriados médicos, assim como Grey’s Anatomy é atualmente. Mostrando a rotina uma sala de emergência alternada pelos dramas pessoais dos médicos e enfermeiros. Após 20 anos desde a estreia de E.R, Code Black veio para tentar preencher o espaço vazio deixado pela série.

Criada por Michael Seitzman, a série é inspirada no documentário homônimo que acompanha os médicos e enfermeiros do pronto-socorro mais movimentado dos EUA, o LA County Hospital. Code Black é um termo dado pelos americanos para definir uma situação em que o hospital se encontra com mais pacientes que recursos e não possui nem médicos nem equipamentos para tratar de todos os pacientes que ali estão. Fato é que este hospital tem, em média, 300 situações ‘code black’ por ano, quando a média verdadeira é de cinco.

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Seitzman transportou esse cenário de caos para a série e o situou no hospital fictício Angels Memorial em Los Angeles. No primeiro episódio, somos apresentados aos novos médicos que iniciarão o seu caminho em um dos programas de residentes mais disputados do país. São eles Malaya Pineda (Melanie Chandra), Mario Savetti (Benjamin Hollingsworth), Angus Leighton (Harry Ford) e Christa Lorenson (Bonnie Somerville). Todos são orientados pela durona Drª Rorish (Marcia Gay Harden), conhecida dentro do hospital como Daddy, e pelo enfermeiro Jesse (Luis Guzmán).

No inicio, a série parece beber da mesma fonte que as outras séries do gênero. Não ficamos apenas presos aos casos de dentro do hospital. Acompanhamos as relações entre os personagens e seus dramas, porém essa é parte em que Code Black encontra suas maiores dificuldades. Diálogos fraquíssimos, personagens rasos e estereotipados. O ritmo é muito intenso e as situações dramáticas vão se acumulando, o que pode parecer uma grande bagunça na cabeça do espectador. Todo esse cenário caótico deixa muito pouco espaço para o desenvolvimento da história e de seus personagens.

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Parece que os produtores perceberam os erros cometidos. A partir do quinto episódio da temporada, a série pisa no freio. O desenvolvimento dos personagens ganham mais destaques, a narrativa começa a questionar a forma como esse ambiente caótico afeta os residentes. No episódio 11 (Black Tag), um dos melhores dessa temporada, os médicos chegam à cena de um acidente envolvendo vários veículos em uma rodovia. Nem todas as vítimas poderiam ser socorridas, por isso os médicos tinham que decidir quem seria salvo e quem ficaria ali para morrer. Imaginem que decisão!

Como um fã de série médica, acho que, apesar do inicio confusão, Code Black foi uma das surpresas dessa fall season. A história ainda pode render muito, basta acertar o tom da narrativa e traçar o seu próprio caminho. A série foi renovada para a 2ª temporada pela CBS que deve estrear entre setembro e outubro desse ano.