Iniciada em 2015 com Demolidor, a parceria Marvel/Netflix trazia uma nova maneira de fazer adaptações de super heróis e principalmente trazer uma atmosfera sombria para a Marvel nas mídias audiovisuais.

Depois de duas temporadas de Demolidor, uma de Jessica Jones e Luke Cage a parceria consegui nos entregar boas histórias, cada uma com seus altos e baixos, claro, com as qualidades se sobressaindo. Porém Punho de Ferro, o ultimo personagem a ser apresentado trouxe o primeiro grande tropeço e criando duvidas para a então reunião que enfim chega com Os Defensores.

A trama se passa alguns meses após os eventos da primeira temporada de Punho de Ferro. Danny Rand (Finn Jones) e Colleen Wing (Jessica Henwick) estão à caça do Tentáculo, tarefa que prova ser praticamente impossível, o que os leva por diversos locais ao redor do mundo. Enquanto isso, Matthew Murdock (Charlie Cox), Jessica Jones (Krysten Ritter) e Luke Cage (Mike Colter), que acabou de sair da prisão, também acabam se envolvendo, cada um, com o sombrio grupo. Restam a eles, então, unirem-se para impedir os planos de Alexandra (Sigourney Weaver), integrante do Tentáculo, cujos objetivos podem levar à destruição de Nova York.

O primeiro grande acerto da série é ter menos episódios em relação a suas antecessoras que oscilavam principalmente por terem que exigir 13 episódios necessários.Aqui sendo apenas 8 a historia flui melhor, mesmo que de forma lenta e repleta de diálogos expositivos. Os primeiro quatro episódios trabalham exatamente no encontro deles motivado pela ameaça de Alexandra. Os conflitos e problemas pessoais de cada acabam se cruzando e a forma como se encontram é eficiente e convincente. A forma como Matt Murdock , Luke Cage , Jessica Jones e Danny Rand vão se conhecendo é um dos pontos altos do programa. Entre troca de farpas, ceticismo e sarcasmo, muitos deles partindo de Jessica Jones, a série vai mostrando que eles tem mais em comum do que imaginam.

Outro ponto interessante é destacar a parceria já conhecida nas HQ’s de Luke Cage e Danny Rand. Os dois são conhecidos por se juntarem em excelentes aventuras nos quadrinhos e fundar o grupo Heróis de Aluguel, e a série deixa esse gosto para algo no futuro. Colter e Jones estão bem a vontade nos respectivos papeis e o último consegue uma redenção depois de sua criticada atuação na  primeira temporada de Punho de Ferro. Ficou claro que o grande problema foi o péssimo showrunner Scott Buck que retalhou o roteiro, não sabendo aproveitar o potencial que tinha em mãos.

Charlie Cox ganha até um maior destaque no programa. Aqui, Matt Murdock indiretamente assume a função de líder, pois é o mais experiente ao ter mais tempo de combate ao crime nas ruas. Antes relutante em voltar como Demolidor, o advogado cego tem papel primordial nos episódios finais. Krysten Ritter continua durona como Jessica Jones, que usa de forma eficiente sua astúcia como detetive.

Outro aspecto positivo é a forma como os personagens coadjuvantes são bem utilizados. Salvo um ou outro caso, todos já foram apresentados nas séries anteriores, o que possibilita que nos importemos mais com esses indivíduos, ainda que os de Demolidor certamente saiam na frente dos outros, tanto pela qualidade da série quanto pelo fato dele já ter duas temporadas. É gratificante enxergar como os roteiristas conseguem garantir a esses personagens papéis de destaque na série, cumprindo funções-chave dentro da narrativa, tudo enquanto suas histórias pessoais são respeitadas.

Já que citamos os novos indivíduos introduzidos, não há como não destacar o trabalho da excelente Sigourney Weaver, eterna Ellen Ripley, que rouba a cena como uma das principais antagonistas do seriado. Embora faça parte do Tentáculo, ela se destaca pela forma humana como é apresentada, não sendo puramente a representação da maldade, como é o caso dos infinitos ninjas da segunda temporada de Demolidor. Weaver empresta classe, mistério e a dose certa de ameaça à sua personagem, o que apenas nos entristece, visto que ela poderia ter sido muito melhor utilizada ao longo dessa temporada.

No quesito técnico, a série apresenta as mesmas qualidades e vícios. As lutas são bem coreografadas e eletrizantes(algo que pecou em Punho de Ferro), mostrando com clareza a habilidade que cada um possui. O posicionamento da câmera deixa o telespectador com a noção exata do que está acontecendo durante os combates. Mas, o mesmo vício dos outros programas está aqui: a velha conhecida luta no corredor filmada sem cortes. Ela é ótima, mas repetitiva e não tão memorável como a dos outros.

A primeira temporada de Defensores encerra a “Fase 1” da parceria Marvel/Netflix de forma satisfatória. Não é perfeita como Demolidor e Jessica Jones fizeram para com seus personagens, mas realiza a união do grupo de forma orgânica e nostálgica, ainda que oscile aqui e ali. A parceria já entendeu o que funciona, o que não funciona, o que precisa melhorar e ser mantido.E que comece uma nova fase para os heróis urbanos.