O último volume da trilogia “O Lar da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares” chega para dar um basta em tantas questões que o excelente “Cidade dos Etéreos”, segundo volume da franquia que apresentou Ransom Riggs ao mundo, onde a ficção se torna ainda mais fantástica do que real. Como todo livro final, é esperado conflitos, desconfiança, batalhas, mortes e como se trata de uma coleção das Crianças Peculiares, muitas fotos e dimensões para desbravar. O que já era sombrio agora está tenebroso.

Jacob Portman descobriu uma habilidade fantástica num momento de extrema necessidade, deixando todos os outros Peculiares com uma mínima esperança de que podem salvar sua tutora Alma LeFay Peregrine de uma terrível condição que parece durar uma eternidade. Outros precisam de ajuda, mas muitas frustrações ainda vão encontrar nossas crianças especiais, que fazem das tripas coração para enfrentar perigosos etéreos e acólitos. Um dos pontos de destaque é a continuidade das lembranças dos personagens como Alma Peregrine, o avô de Jacob (Abraham “Abe”) e Emma Bloom, par romântico do nosso protagonista e que possui um dos poderes mais invejáveis da história.

Mesmo com tantos personagens ao longo da saga, ainda houve espaço para apresentações relevantes para a trama, a exemplo temos Reynaldo e a Mãe Poeira, personagens tão singulares que garantem seu espaço nessa etapa conclusiva para a sociedade peculiar. Os vilões terão reforços para assegurar uma batalha épica através das fendas que ainda estão abertas. Com a adesão de tantos personagens, foi feito um corte por parte de alguns que viamos nos livros anteriores, podendo entender como uma falha por parte do autor, já que fizeram falta. Outra indignação é terminar um universo tão fácil de se expandir mais e mais. A única felicidade para os fãs é o lançamento do livro “Contos Peculiares”, que foi de fato essencial para que as crianças encontrassem mais do que conforto nele, mas sim uma saída.

Ainda que se mantenha com o padrão texto e fotos, o autor diminuiu bastante nesse volume, mas explicou a razão, sendo compreensível que após o primeiro livro, que foi escrito com base nas fotos, agora foi necessário encontrar fotos que se encaixassem com a história já composta por Riggs. Mesmo com essa dificuldade, é um trabalho admirável esse apresentado, pois representa uma reciclada forma de incentivo as crianças lerem mais, já que nem todas podem ter caído nos encantos de “Harry Potter” ou “Jogos Vorazes”. O mais triste talvez seja que a adaptação cinematográfica não vingue a ponto de alcançar essa etapa da franquia.

Abordando temas como preconceito, diversidade cultural e injustiça, fará essa obra manter a dignidade de sua proposta e deixar saudades para quem acompanhou cada um desses meninos que poderiam ser você e seus amigos. Por fim, quem gosta de uma comédia sombria, terá aqui um prato cheio… afinal, Ransom Riggs tem talento nos gêneros. A edição em capa dura da Intrínseca está fenomenal pra quem quer colecionar.