Às 13 horas do dia 11 de agosto, no Feel The Future, palco principal da Campus Party, a Mônica Sousa, diretora-executiva da Maurício de Sousa Produções (MSP) e inspiração para a famosa personagem dos quadrinhos, reuniu uma multidão de fãs da turma mais querida do Brasil, a Turma da Mônica.

Os quadrinhos do Maurício são consagrados no mercado editorial brasileiro, com mais de 50 anos de tradição, suas histórias perpassaram a infância de várias gerações, criando um forte vínculo afetivo com o público. Toda a força da marca não ficou alheia às mudanças sociais e foi sobre isso que a Mônica Sousa veio falar, divulgando o projeto Donas Da Rua.

Ao contar aspectos da sua vida profissional, desde desafios do começo da carreira aos grandes investimentos que o grupo tem feito recentemente com o seu comando, como as releituras de personagens do grupo em graphic novels* pelas mãos de talentos da nova geração de desenhistas brasileiros e o filme “Laços”, primeiro filme live-action (com atores) da Turma da Mônica; e aspectos da vida pessoal, como ter sido “a Mônica”, a mesma menina das revistinhas durante a infância, a nossa palestrante tocou diretamente às meninas da plateia com a mensagem de que tudo o que elas desejarem fazer, elas são capazes de fazer. “As meninas fortes de hoje serão as mulheres incríveis de amanhã!”, reiterou citando o slogan das Donas Da Rua.

[*Graphic novel: romance gráfico produzido em formato de quadrinhos, possuem uma história completa em uma única edição, maior qualidade do estilo do desenho e do papel impresso e geralmente possuem abordagens mais adultas].

O projeto Donas da Rua foi explicado detalhadamente. Surgiu de uma parceria da MSP com a ONU Mulheres e visa empoderar garotas de todo o Brasil. Atualmente, o grupo realiza parcerias com ONG’s que trabalham com a mesma meta e mantêm um time de futebol feminino, além de contar com uma plataforma virtual interativa sobre o projeto. Mas não se resume a isso, as novas histórias da turma estão sendo revisadas especialmente para impactar positivamente o modo como as meninas veem a si mesmas. Coletivos, empresas e organizações podem somar forças diretamente, é simples, basta entrar em contato pelo portal digital:

http://turmadamonica.uol.com.br/donasdarua/

Mônica Sousa foi bastante tranquila e comemorou ao saber que na Campus Party Bahia havia mais meninas do que meninos, “Isso é empolgante. Você sabia que, até os seis anos de idade, as meninas acreditam que não são tão inteligentes? Eu sempre penso nisso, e é porque nenhuma história é sobre elas. Acho que é por isso que a Mônica faz sucesso: ela não é perfeita, ela é capaz”. Depois, falou sobre os principais desafios do projeto, a saber, alcançar o máximo possível de meninas em diferentes faixas de idade. Próximo ao fim de sua exposição, citou outro grande desafio, trabalhar com o público masculino. As Donas da Rua também pretende estabelecer o diálogo com os meninos, abordando os diferentes pesos que os gêneros carregam por conta de construções sociais, como por exemplo, a ideia que meninos não choram, que não devem se dedicar a serviços domésticos e que devem ser os grandes provedores do lar por obrigação.

Ao fim da palestra, foi aberto o microfone à plateia para perguntas, momento que ensejou vários questionamentos interessantes, dos quais citaremos dois:

1 – A preocupação do projeto com as minorias (negros, portadores de necessidades especias, etc)

Mônica pontuou esse aspecto como sendo um dos focos de ação das Donas da Rua, pois procuram trazer representações identitárias desses grupos, seja por meio de personagens fictícios ou pela recontagem das histórias de grandes personalidades, como a escritora negra Carolina de Jesus.

2 – O modo como a indústria de quadrinhos parece ignorar questões relevantes às minorias quando personagens pertencentes a esses grupos são apresentados, como o personagem Miles Morales, o primeiro Homem-Aranha negro, que, de acordo com o questionador, não enfrenta em suas histórias nenhum dos problemas que o seu grupo social recorrentemente sofre

Mônica respondeu que o tratamento dado aos personagens é positivo, ou seja, todos são retratados com atitudes de valorização de sua identidade e de suas vidas, mas que essas questões não são omitidas das histórias.

Ao fim, quando já estávamos na parte de fotos e autógrafos, conseguimos conversar com a filha do Maurício e falamos do quanto a garota de vestido vermelho e coelhinho azul é influente no Brasil, ficando no mesmo patamar da Mafalda na Argentina e da Marjane Satrapi no Oriente Médio, perguntamos à Mônica Sousa sobre a parceria do grupo MSP e a Sanrio, ou seja, a menina Mônica e a gata Hello Kitty, a qual ela nos respondeu que no momento é apenas uma parceria de ‘co-branding’ (entre marcas) para o licenciamento de produtos da gatinha aqui no Brasil, mas que pode abrir outras portas para a MSP. A personagem Mônica já é uma embaixadora do Unicef (Fundo das Nações Unidas pela Infância) e defende os direitos das crianças e adolescentes desde 2007, por seu potencial, há uma grande expectativa do público brasileiro de que ela alcance ainda mais sucesso internacionalmente.