Buscamos viver nossas vidas o mais respeitosamente possível – ou grande parte das pessoas tenta -, mas somos humanos não santos, e a coisa mais fácil do mundo é ter uma sequência de deslizes nesse caminho de bondade que buscamos trilhar. O problema é: o que é apenas um deslize para nós, pode significar muito para os outros, e parte das consequências disso recai sobre nossos ombros, porque você é sim responsável por parte daquilo que não-cativa de propósito e com crueldade.

Em Antes que eu vá, Samantha Kingston tem a conhecida “vida perfeita” até que… Não tem mais. Ela tem o namorado popular, as melhores amigas do mundo e uma família que ama (mas que a chateia um pouco, afinal nada é tão perfeito assim). Porém em mais um dia comum de sua vida, ela sofre um acidente… E acorda em sua cama, revivendo de novo e mais uma vez o mesmo dia: 12 de fevereiro. Dia do Cupido. O dia de sua morte.

O caso é: Sam e suas amigas (Lindsay, Elody e Ally) são boas pessoas, se ajudam muito, são aquele grupo de amigas inseparáveis, com uma ligação que pode ser comparada a “família” entre elas. Mas elas fazem parte desse grupo do deslize, porque se policiar sempre deixaria qualquer um à beira da loucura, e por mais que elas sejam pessoas boas, ainda assim destilam veneno por ai. Esse é um toque excepcional que Lauren Oliver (autora do livro que originou o filme) deu para a história: não importa o quanto você na verdade seja realmente uma boa pessoa, você é sim capaz de ser a pura maldade na vida de alguém.

Nesses tempos onde Os 13 porquês abre os olhos de muitos, Antes que eu vá trás o bullying para as grandes telas pelos olhos de uma pessoa que não tem ideia do tamanho do mal que está causando a outra, mas tem a chance de mudar isso antes do fim. Sam não sabe por que está presa nesse loop no último dia de sua vida e nem o que fazer para fazer isso parar. Ao passo que esse é um excepcional toque no plot: por não ter ideia do que fazer, Sam nos mostra o quanto as pessoas, independente do quanto se achem atentas, podem ser más com outra sem se dar conta da gravidade disso; por outro lado, é esse lado do plot que é difícil de engolir: porque quando ela descobre como resolver, a sua resolução, ainda que esperada pela ideia geral do filme, é chocante se você pensar mais a fundo e analisar os atos dela, em como achou necessário fazer o que fez para se redimir do mal que estava causando a outra pessoa.

Não diria que Antes que eu vá passe a mensagem que, supostamente, quis passar de forma completa e até mesmo totalmente correta. Enquanto assistia ao filme tive a ligeira sensação que ficaram faltando coisas, detalhes… Apenas algo que, espero, esteja no livro, e que a leitura acalme meu coração. O filme tem um bom elenco e uma alegre trilha sonora. Emociona em algumas partes, assim como a amizade das meninas vão atrair sorrisos. O dilema moral, no entanto, é explorado de forma mais rasa do que o esperado.

O filme conta com Zoey Deutch (Academia de Vampiros, 2014), Halston Sage (Cidades de Papel, 2015), Medalion Rahimi (XOXO, 2016), Cynthy Wu (Road Hard, 2015), Elena Kampouris (Homens, Mulheres e Filhos, 2014), Logan Miller (Como sobreviver a um ataque zumbi, 2015), Jennifer Beals (Flashdance, 1983) e Nicholas Lea (Caos, 2005).