O jogos de luta mais sangrento da história dos videogames está de volta. Após a última edição de Mortal Kombat lançada em 2011, “Mortal Kombat X” marca a estreia de uma das mais famosas franquias de pancadaria nos consoles PlayStation 4 e Xbox One.O game que também está disponível para PC(e previsto para Junho no Playstation 3 e Xbox 360) resgata tudo que deu certo no anterior, como a campanha bem elaborada, os golpes Raio-X e outras técnicas especiais, mas além disso, a produtora NetherRealm aposta também em novidades, seja na forma de um ‘metajogo’ online, novos personagens bem elaborados e um sistema de variações técnicas para cada lutador.

Bom pra começar, em termos de movimentação, os lutadores seguem o mesmo estilo de Mortal Kombat 9, com quatro botões de ataque e um de defesa. A barra de especial continua e temos a barra de stamina que tem uma função importantíssima em Mortal Kombat X: com ela você pode jogar o inimigo para o ar, correr e cancelar a corrida no momento que quiser para emendar mais alguns golpes. Antes só era possível dar um pequeno salto para frente, movimento que fazia o lutador perder alguns frames importantes.

Com isso, temos um elemento a mais na estratégia de luta e mais possibilidades de combinações de golpes. Novos cancelamentos de agarrão e movimentos de levantamento atrasado e adiantado também entram no sistema, deixando a mecânica bem mais complexa que antes.Alem disso cada personagem conta com três variações de estilo, o que amplia o leque de possibilidades para os jogadores. Duas pessoas lutando com Jax, por exemplo, podem adotar técnicas e estratégias distintas, um mais voltado para agarrões, o outro apelando para rajadas de metralhadora. Os movimentos básicos e os principais golpes especiais dos personagens são os mesmos em todas as variações, assim como os Fatalities. Ou seja, você não precisa reaprender todos os movimentos, apenas os truques específicos do estilo.

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Outra coisa a ser levada em conta do sistema é trazer alguns elementos que foram herdados de Injustice, o jogo anterior do estúdio. Por exemplo, é possível interagir com o cenário novamente, mas de forma bem mais extensa.

Fatalities, Brutalities (que retornam por aqui bem diferentes de execução ), combos e outros elementos-chave e que fizeram sucesso na série estão presentes. Os Fatalities ganharam mais variedade e, estão mais violentas do que nunca: parte graças ao poderio gráfico da nova geração, parte à direção artística do game. Agora as vítimas agonizam muito mais antes de morrer. Junto aos X-Ray moves, temos a impressão de estar vendo uma aula de anatomia, tamanho é o cuidado com os ossos, músculos e órgãos desenhados com perfeição.

O elenco pode parecer um pouco mais pobre para alguns porque muitos veteranos foram substituídos por estreantes. E em uma série com tantos anos, mudanças sempre podem causar estranheza. Esse é um ponto difícil de ser discutido: eu particularmente achei esse cast um dos mais equilibrados de toda a série, principalmente porque os personagens são bem diferentes uns dos outros em termos de mobilidade e golpes. É claro que senti falta de alguns veteranos, isso é inevitável. Porém, isso não influencia na jogabilidade e na diversão.

Outro ponto que deu para perceber no jogo foi a construção dos personagens. A história e as motivações dos lutadores estão mais bem desenvolvidas em Mortal Kombat X. é possível se conectar mais aos lutadores que nos jogos anteriores da série.Isso já pode ser visto antes das lutas, quando as duplas geralmente se provocam ou despertam antigas inimizades. Além disso, durante a luta também rolam provocações o tempo todo e isso, mesmo que você não perceba de cara, acaba deixando a ação mais intensa.

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A historia começa alguns anos após o anterior quando vimos o imperador Shao Kahn derrotado e consumido pelos deuses antigos. Porém, o deus caído Shinnok revelou suas verdadeiras intenções em dominar a Exoterra e o plano terreno, além de qualquer mundo que ver pela frente.

É claro que as chamadas “forças do bem” não deixariam isso ocorrer de forma barata, e assim Johnny Cage, Sonya Blade, Kenshi, Raiden, Fujin e outros heróis correm em socorro do nosso mundo, honrando ainda heróis que haviam caído em combate, como Jax e Liu Kang. O grupo se reúne para combater Shinnok durante um período de cinco anos iniciais e, logo, conseguem o objetivo.

Depois de aprisionar Shinnok em seu amuleto e salvar os mundos, mais uma vez, os heróis vão viver suas vidas como podem e a história dá um salto – 20 anos adiante. Johnny agora está bem mais velho, assim como Sonya e outros personagens. Tudo isso para dar lugar a uma nova geração de heróis, formada por herdeiros daqueles combatentes do passado, incluindo Cassie Cage, filha dos dois militares.

Durante todo esse tempo, Cassie e um novo grupo de heróis cresceram para se tornar novos membros das Forças Especiais, que lutam ao lado de alguns heróis da Exoterra para continuar mantendo a paz em todos os mundos. Ainda assim, nada vai ser fácil quanto parece, já que uma guerra civil se deflagra por lá, entre a “verdadeira herdeira” Mileena e o atual imperador, Kotal Kahn.

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Novamente o jogo dá um banho em termos de história e narrativa, e conta tudo isso de forma cinematográfica, frente aos fatos que precisamos acompanhar para entender tudo: quem são os novos personagens? Onde está Quan Chi? Como Scorpion ainda vive? Por quanto tempo mais os guerreiros precisarão participar de combates mortais?

Com Mortal Kombat 9, a NetherRealm Studios ensinou aos jogos de luta que eles podem ter momentos de sua história que vão além de rápidas cenas ou de imagens paradas e com poucas legendas. Com momentos repletos de ação, este tipo de narrativa se repetiu em Injustice: Gods Among Us, jogo anterior do estúdio, e está novamente presente em Mortal Kombat X, agora de forma ampliada e melhorada.

Mortal Kombat X vem com muitos modos de jogo, alguns deles apostando forte na conexão com a Internet, como o modo de guerra de facções. Aqui o jogador escolhe sua facção no início do game e vai lutando enquanto pode. Conforme suas vitórias aumentam, sua facção também sobe de nível e o mesmo acontece com usuários ao redor do globo, que estejam jogando conectados com a Internet.

O mais interessante é que isso independe de plataformas. Assim, quem está jogando no Xbox One ou PC e escolher a facção Lin Kuei poderá ajudar esse time a subir de nível juntamente com você, que está jogando no PS4, por exemplo. Foi uma forma inteligente e clara de unir as plataformas, ainda que seja de forma bem indireta.

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Outro modo que retorna de forma bem interessante é o Teste sua Sorte, que está mais divertido do que nunca. Aqui você deve encarar lutas aleatórias, contra oponentes escolhidos na sorte e com modificadores selecionados da mesma forma. Você pode, por exemplo, encarar um inimigo com o chão escorregadio, ou saindo chamas a todo o momento, ou com facas voando pelo cenário e acertando os dois ao mesmo tempo e por aí vai. Divertido e curioso, no mínimo.

Os modos extras são muitos e variam bastante. Além do óbvio multiplayer online com seus submodos, como o “Rei da Montanha”, temos o retorno da Torre de Desafios, que agora possui três variantes, entre elas a Torre Viva, que vai sempre mudando, de acordo com o tempo. A Torre em si continua a mesma, com desafios específicos e lutas pré-programadas que devem ser vencidas pelo jogador.

Por fim, há ainda a Krypta, contendo diversos extras que podem ser destravados por meio de uma moeda fictícia obtida pelo jogador ao longo das lutas. Desta forma é possível destravar Fatalities, artes dos personagens, roupas adicionais e outros benefícios, da mesma forma que existia em MK9, mas com um exploração mais “solta”, lembrando um jogo de tiro em primeira pessoa.

A nova geração fez bem para a série e o estúdio soube aproveitar muito bem os recursos visuais. A construção dos personagens também melhorou: expressões faciais realistas, roupas e adereços cheios de detalhes que se movem conforme os movimentos do lutador.

Durante as lutas também é possível ver as manchas de sangue e cortes do corpo dos lutadores, assim como o suor escorrendo em seus braços no final das batalhas. Dá quase para sentir o suspiro da vitória depois de uma luta.

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O jogo também parece estar mais “comportado” que antes e com menos exageros. A construção das personagens femininas condiz mais com quem está indo para um kombate de vida ou morte que antes. O sangue agora jorra em menor quantidade e de maneira mais realista que em MK9, principalmente quando respinga no chão ou no corpo dos lutadores.

Embora o som do game esteja impecável tanto na trilha sonora ,tanto em efeito sonoros,porem a dublagem nacional está bem abaixo das dublagens de games mais recentes – e a culpa nem é só da Pitty.

O game sofre de tradução ruim e falta de coordenação na localização. Frases que não batem umas com as outras em alguns diálogos sinalizam que faltou alguém verificar o resultado antes de colocar tudo no jogo(Que tal eu equalizar sua cara!).

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Sobre Pitty, a cantora tem uma interpretação irregular: em muitos momentos é fraca e sem interpretação, bem diferente da maior parte dos colegas. Em outros, durante a campanha, suas falas funcionam bem e você percebe o esforço em imprimir alguma emoção ao personagem. Faltou experiência? Sem dúvida. Faltou orientação? Também.

Depois de “Battlefield: Hardline” e “Mortal Kombat X”, fica a expectativa de que a Warner, responsável pela distribuição do jogo,não faça nada disso com o novo Batman.

Mortal Kombat X é o MK ainda mais evolutivo. Perto dele, o anterior fica parecendo “brincadeira de criança”, sem desmerecer, mas sim enaltecendo a evolução natural da série. Os gráficos estão excelentes e as adições à jogabilidade foram bem pontuais e nada exageradas. O modo de história continua muito bem dirigido e os modos multiplayer e extras seguem interessantes. É claro que nem tudo é perfeito , graças a uma dublagem questionável.