Por: Lucas Nascimento dos Santos

Quarta à noite, (09/08), no palco Feel The Future, o principal da Campus Party, ocorreu um verdadeiro encontro intergeracional de amantes das ciências: na plateia, jovens de diversos estados do país, considerados o futuro da ciência e tecnologia da nação; no palco, a curiosidade e o intelecto de uma veterana das pesquisas científicas, pioneira em seu estudo com ribossomos e a primeira mulher do Oriente Médio a vencer o Prêmio Nobel, Ada Yonath.

A israelense iniciou sua palestra de forma descontraída, cativando com sua simplicidade o público ávido pelo seu conhecimento. Apoiada na tribuna, a autoridade intelectual da senhora, tão vasta a ponto de intimidar os novatos no campo, cedeu lugar a uma acolhedora gentileza que ela dispensa às novas gerações.

Os temas abordados foram dois, a curiosidade e o ribossomo (estrutura onde é produzida a proteína na célula), que se mesclaram na didática perspicaz da palestrante, esclarecendo aspectos aprofundados de sua pesquisa de um modo que transpassou a plateia, tamanha a facilidade de traduzir elementos complicados para um público leigo. Ao falar de curiosidade, Ada foi muito feliz ao contar a própria história, que é tocante pela coragem e estimulante pelo exemplo. De uma garota pobre de Israel ao prêmio Nobel, ela citou pessoas que a estimularam, como os cientistas Marie Curie e Einstein. Os detalhes gráficos de sua apresentação eram simples e fantásticos, seguindo-se uns aos outros como uma verdadeira imersão.

Na parte final da palestra, mostrou o prêmio de melhor avó do ano, por uma aula que deu para crianças do jardim de infância da escola de sua neta, prêmio que para ela é tão importante quanto o Nobel, pois destrói o mito de que uma mulher que se dedica à ciência é incapaz de se dedicar à família. Citou três pesquisadoras da sua equipe no Instituto Weizmann que são excelentes mães e foi direta às garotas da plateia, “garotas, escolham a ciência” e completou ao ser questionada sobre o preconceito na comunidade científica, “pesquisa científica não tem nada a ver com gênero”.

[*Sua exposição foi em inglês, porém os organizadores disponibilizaram rádios e fones de ouvido especialmente para o serviço de tradução simultânea, nós assistimos integralmente na língua original para não perder nenhum detalhe].